— Desculpe, mas o direito de explicação do cartão de associado pertence exclusivamente à nossa loja. Agora, vamos recolher o cartão do Sr. Domingos, é apenas um procedimento padrão.
— Não, espera aí, vocês precisam me dar um motivo, não acham?
Sem conseguir comprar nada e já cheia de frustração, Manuela Barbosa sentia que o peito ia explodir de raiva.
— Motivo? Tem certeza de que quer mesmo uma explicação? — A funcionária lançou um olhar para Manuela Barbosa, depois voltou-se para Mateus Domingos.
Manuela Barbosa fez um leve aceno, afirmando:
— É claro.
A funcionária falou:
— Pois bem. Nossa Sra. Maria Júlia não aprecia pessoas indecisas. Principalmente aquele tipo que muda de sentimento com o vento, que se apaixona por qualquer um. Pessoas sem caráter.
Ela fez uma breve pausa, o canto da boca curvando-se num sorriso irônico, fitando Manuela Barbosa:
— Não sei se essa explicação agrada aos dois.
Apesar da funcionária não ter falado claramente, o sentido de suas palavras era óbvio para Mateus Domingos e todos os presentes.
As pessoas ao redor começaram a cochichar, comentando sobre uma suposta traição de Mateus Domingos e a interferência de Manuela Barbosa.
De repente, Manuela Barbosa teve uma sensação estranha, como se Melina Barbosa a observasse de algum lugar escondido.
Ela se virou rapidamente e, por uma fresta, percebeu um par de olhos espreitando.
Sem hesitar, com passos apressados e decididos, correu para trás do biombo.
Algumas funcionárias tentaram detê-la, mas, ao perceberem que ela estava grávida, não ousaram impedir de verdade. Para surpresa de todas, Manuela conseguiu chegar ao outro lado.
— Melina Barbosa! Sua des...
Antes de terminar a frase, Manuela Barbosa parou, perplexa.
Lá dentro havia apenas uma senhora de aparência austera, um ar de frieza no rosto. Não havia mais ninguém.
Inconformada, Manuela Barbosa olhou por cima do ombro de Sra. Maria Júlia, tentando espiar o pátio.

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