O Presidente Carvalho afirmou que, para os outros, comprar um carro novo nem sempre significava recebê-lo imediatamente, mas que, se fosse Melina Barbosa quem comprasse, de qualquer jeito ela teria o carro na hora.
Assim, logo que Melina Barbosa assinou o contrato e fez o pagamento, sua avó já estava dirigindo o carro novo pelas ruas.
— Nesta vida, vou poder andar de novo no carro que a vovó dirige — brincou Melina Barbosa.
Os olhos da avó ficaram marejados. Ela respirou fundo, enxugou os olhos, olhou para a frente e disse:
— Não quero só te levar para passear. No futuro, quando você tiver filhos, quero levar seus filhos juntos para passear também.
A avó fez uma pausa e acrescentou:
— Você e Gustavo têm que se esforçar juntos.
O rosto de Melina Barbosa ficou levemente corado e ela respondeu:
— Tá bom...
— E para onde vamos? — perguntou a avó, sem vontade de voltar para casa tão cedo, ainda aproveitando a novidade de dirigir.
— Vovó, eu queria ir a um lugar — respondeu Melina Barbosa.
— Que lugar é esse?
Depois que Melina Barbosa disse o destino, elas pegaram a estrada.
No caminho, Melina Barbosa ainda comprou algumas frutas e verduras frescas. Quando chegaram, a avó estacionou e perguntou:
— Por que você quis vir aqui de repente?
Elas estavam indo visitar a família Serra. Dona Serra tinha sido companheira de quarto da avó no hospital; as duas senhoras dividiram o mesmo quarto enquanto estiveram internadas.
A família da Sra. Serra era muito ocupada com o trabalho e raramente aparecia por lá, então quase tudo era resolvido com a ajuda de cuidadores.
Talvez por isso, Sra. Serra sentia que os filhos não a valorizavam tanto, costumava se irritar e reclamar de tudo.
Como Melina Barbosa estava cuidando da avó, aproveitava para levar comida também para Sra. Serra. Com o tempo, as três foram se tornando próximas.

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