Melina Barbosa ainda sentia o coração acelerado quando olhou para Gustavo Ferreira. Ela disse:
— Eu... eu também não sei o que aconteceu, o fogo estava tão forte.
Gustavo Ferreira deu um tapinha no ombro de Melina Barbosa e a tranquilizou com suavidade:
— Não se preocupe, deve ser porque este fogão esquenta demais, foi só por isso. Não teve nada a ver com você.
Gustavo Ferreira sabia consolar as pessoas. Se algo não dava certo, era sempre culpa das ferramentas, nunca das pessoas. Nunca culpava Melina Barbosa.
— Como uma pessoa poderia errar? — pensava ele. — A culpa é sempre dos utensílios.
Gustavo Ferreira então disse a Melina Barbosa:
— Deu uma vontade de cozinhar agora. Por que você não vai sentar um pouco na sala? Deixa que eu preparo algo para a gente.
Melina Barbosa hesitou:
— Será que não tem problema? A gente tinha combinado que eu ia cozinhar hoje. Que tal se eu te ajudar com alguma coisa?
Gustavo Ferreira percebeu que Melina Barbosa não sairia da cozinha tão cedo. Se ele não aceitasse, ela não ficaria satisfeita.
Assim, Melina Barbosa permaneceu ocupada na cozinha o tempo todo, embora no fim das contas ninguém soubesse muito bem o que, de fato, ela tinha feito. Finalmente, os pratos foram servidos, e os três suspiraram aliviados.
— Nossa, sua comida é uma delícia — elogiou Melina Barbosa.
Gustavo Ferreira respondeu:
— É porque você me ajudou. Só consegui preparar algo gostoso graças a você.
— Sério mesmo?
— Sério.
Os dois trocaram um sorriso, com o rosto iluminado pela felicidade.
...
No hospital, Manuela Barbosa estava deitada na cama, mexendo no celular, completamente entediada.
— Mamãe, quando é que eu vou poder sair daqui? Não aguento mais esse tédio — reclamou Manuela Barbosa.
Simone Oliva olhou para a filha com o coração apertado. Aquela menina, que sempre foi cheia de vida, agora estava presa naquele pequeno quarto de hospital.

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