Vovô João subiu as escadas logo atrás deles. Assim que Melina Barbosa e Gustavo Ferreira entraram no quarto, ouviram um “pá!” — a porta se fechou com força.
Do lado de fora, a voz aflita de vovô João ecoou, enquanto ele batia na porta:
— E agora? Acho que a porta foi fechada pelo vento.
Gustavo Ferreira usou a lanterna do celular para iluminar em direção à janela. Como eles quase nunca dormiam ali, as portas e janelas do quarto só eram abertas para ventilar em horários definidos. Fora isso, ficavam sempre fechadas.
Naquele momento, as janelas estavam totalmente fechadas, sem nenhuma corrente de ar. Como, então, o vento teria força para bater a porta daquela maneira?
Estava claro: tudo havia sido feito de propósito por vovô João.
Nesse instante, ouviram a voz do mordomo vindo do corredor:
— Senhor, está tudo pronto. A energia só volta amanhã, antes do amanhecer.
Vovô João rapidamente fez um gesto pedindo silêncio e advertiu em tom baixo:
— Não fale alto, eles podem ouvir.
— Tudo bem, vou me controlar.
Melina Barbosa e Gustavo Ferreira, já próximos à porta, não conseguiram conter um sorriso de cumplicidade.
Aqueles dois senhores, cada um mais surdo que o outro, mesmo tentando baixar a voz, acabavam falando alto o suficiente para que ambos escutassem cada palavra com clareza.
Melina Barbosa comentou:
— Estou sentindo um calor estranho...
Ela puxou a gola da camisa, tentando se refrescar.
Na verdade, não era só Melina Barbosa. Gustavo Ferreira também sentia o corpo aquecer de modo incomum.


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