— Então era você, irmã mais velha. Hoje em dia, só mesmo você, tão apegada ao passado, ainda se interessa por esse jogo antigo.
Melina Barbosa nem precisou virar o rosto para saber quem estava se aproximando.
Ela não tinha a menor vontade de responder.
No entanto, Manuela Barbosa parecia não disposta a deixá-la em paz.
Ela se colocou bem na frente de Melina, bloqueando sua visão, e disse:
— Por que você é tão infantil?
Melina ergueu os olhos e lançou a Manuela um olhar frio, respondendo:
— Saia da minha frente.
Manuela se inclinou para perto do ouvido de Melina e falou, numa voz baixa que só as duas podiam ouvir:
— Sabe por quê? É por ser tão imatura e incapaz de agradar alguém que o Mateus foi embora!
— Terminou? — Melina olhou para Manuela, sem sequer franzir a testa, como se nada do que ela dissesse pudesse abalar seu humor. — O que você andou colocando na boca? O cheiro está insuportável!
Manuela lançou a Melina um olhar furioso, como se estivesse a ponto de avançar sobre ela:
— Cala a boca!
Melina encarou Manuela, riu com desdém e disse:
— Engraçado... só você pode falar dos outros? Ninguém pode falar de você?
Nesse instante, vovó Rocha saiu do banheiro.
Ao ver Melina encurralada por Manuela, ela deu meia-volta rapidamente.
Quando voltou, trazia nas mãos um esfregão escuro, que exalava um odor desagradável.
Ela ergueu o esfregão na direção de Manuela e disse:
— Sai da frente, quem é educado não atrapalha o caminho.
— Sua velha...
Manuela gritou, furiosa. Quando olhou direito, percebeu que era mesmo a avó da Melina.
Seus olhos brilharam com uma ideia.
Ela se agachou, segurando a barriga, e começou a se queixar em voz alta, com uma expressão de dor:


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