— Então, você também pensou assim? Quis voltar correndo só pra impedir? — Jéssica Nogueira franziu o cenho, encarando Jaime Ferreira com evidente irritação.
Aqueles dois irmãos já haviam lhe tirado a paciência, e agora, para sua surpresa, Jaime Ferreira, mesmo estando viajando a trabalho, também voltou. Seria possível que tivesse voltado só pra ser repreendido?
Jaime Ferreira passou a mão pelo nariz, desconcertado. O que teria feito para ser tão desprezado pela esposa e pelo pai?
— Por que eu tentaria impedir? Melina Barbosa é nossa nora. Se ela está em apuros, temos que ajudá-la, não fugir da situação.
Fez uma pausa e acrescentou:
— Aqueles dois levaram uma boa bronca minha.
Foi só então que Jaime percebeu que o semblante da esposa e do pai finalmente se suavizava.
Naquele momento, passos voltaram a se ouvir na porta — Gustavo Ferreira entrou, carregando Melina Barbosa nos braços.
Melina não esperava que todos ainda estivessem acordados. Assim que entrou, deparou-se com todos, e trocaram olhares surpresos.
Ela disse baixinho:
— Me coloca no chão.
— Ah, não precisa, não precisa, já está tarde. Vamos indo para casa — disse Jéssica Nogueira, aliviada ao ver Melina de volta e de melhor humor.
— Vocês também deviam descansar.
Melina, corando, falou timidamente:
— Vovô, pai, mãe, por favor, fiquem aqui esta noite, não precisam ir pra lá e pra cá.
— Não, não, é pertinho, voltamos rapidinho — respondeu Jéssica, trocando um olhar cúmplice com Jaime e o vovô João, que entenderam o recado e a seguiram para fora.
Para Jéssica Nogueira, aquele apartamento era o cantinho de Melina e Gustavo. Com tantos adultos ali, os dois jovens não ficariam à vontade.
Na verdade, Melina não se incomodava com a presença deles, e o convite era sincero.
Ao vê-los partir, Melina sentiu até um pouco de culpa.
Gustavo a colocou delicadamente no chão e disse:
— Vou preparar o banho pra você.

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