No instante em que falou, Sofia Palmeira se lembrou de que Luísa Viana ainda estava ali.
Para sua surpresa, Luísa Viana sorriu para Sofia Palmeira e disse:
— Fica tranquila, Sofia. Eu já sei da relação entre Melina e o Presidente Gustavo, mas...
Luísa Viana fez um gesto de fechar um zíper na boca, garantindo que não diria nada.
Já que Luísa Viana também sabia, Sofia Palmeira ficou ainda mais à vontade. Ela cutucou Melina Barbosa e disse:
— Vai lá, declara o território!
Melina Barbosa respondeu:
— Não precisa, ele não vai aceitar.
E, de fato, Melina Barbosa acertou em cheio. Gustavo Ferreira, para não dizer que recusou, sequer olhou para a mulher. Apenas disse:
— Leva isso embora.
O rosto da mulher mudou, uma expressão de tristeza e decepção passou por seus olhos, e ela saiu levando o espeto de carne, visivelmente contrariada.
— Nossa, você acertou mesmo! Ele nem olha direito para os funcionários — comentou Sofia Palmeira.
Luísa Viana assentiu. Era verdade!
Ainda bem que ela era esperta e nunca se metia em situações tão ingratas.
Nesse momento, Samuel Palmeira acenou na direção de Sofia Palmeira e disse:
— Sofia, traz uns espetinhos pra gente aqui!
Sofia Palmeira bufou.
— Mal dá para mim, ainda querem que eu leve pra eles!
— Malditos capitalistas, até carne querem tirar dos funcionários! — resmungou Sofia Palmeira, indignada.
— Ué, Sofia... então você é funcionária do Presidente Palmeira? — Luísa Viana só então entendeu a situação de Sofia.
Sofia Palmeira respondeu:
— Azar do destino, virei funcionária do Grupo Palmeira, e ainda tenho que recolher as sobras pro chefe.
O canto da boca de Luísa Viana tremeu. O que ela poderia dizer diante disso?
— Mas o Presidente Palmeira nem parece ser... daquele jeito.
Sofia Palmeira guardava mágoa. Ela disse:
— Por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento. Você ainda é jovem, vai entender com o tempo.



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