Melina Barbosa franziu levemente as sobrancelhas e disse a Simão Pessoa:
— Gerente Simão, não precisa se preocupar tanto com isso. Tanto você quanto eu só queremos manter uma boa relação com os clientes, não é mesmo?
Simão Pessoa soltou um resmungo, visivelmente contrariado.
Nesse instante, o assistente de Gustavo Ferreira retornou a ligação, informando que o camarote já havia sido ocupado por um amigo de Gustavo Ferreira.
Logo depois, Simão Pessoa percebeu a recepcionista conduzindo Melina Barbosa e os outros em direção ao camarote, com uma cordialidade evidente.
Se nesse momento Simão Pessoa ainda não tivesse entendido o que estava acontecendo, então ele seria realmente ingênuo ao extremo.
Com o rosto fechado, seguiu o grupo até o camarote. Não queria que o casal Presidente Carvalho percebesse qualquer coisa, então forçou um sorriso, fingindo naturalidade.
Era inegável: o camarote exclusivo de Gustavo Ferreira era realmente diferenciado.
Embora o espaço não fosse muito maior do que os outros, a decoração tinha um charme antigo e sofisticado. Assim que a porta era aberta, não se via logo a mesa e as cadeiras, mas sim um biombo de madeira trabalhado, com nichos que exibiam diversas antiguidades, sugerindo um cenário misterioso e elegante. Mesmo que alguém passasse pela porta, não conseguiria ver o interior com clareza.
Os objetos expostos naquele biombo não eram meras imitações baratas; cada peça tinha um valor considerável.
Quase todos eram presentes dados a Gustavo Ferreira por pessoas interessadas em agradá-lo. O que realmente lhe agradava, ele levava para casa; o restante ficava ali, compondo o ambiente.
Mais ao fundo, havia uma mesa de jacarandá dourado com cadeiras ao redor, exatamente seis lugares. Era ali que Gustavo Ferreira e seus irmãos costumavam se reunir; não precisavam de mais assentos, pois muitos tornariam o ambiente impessoal.
Melina Barbosa já conhecia o local, pois estivera ali uma vez antes, então não estranhou nada.
Para Simão Pessoa e os demais, porém, era a primeira visita. Eles olhavam para os quadros nas paredes, para as antiguidades no biombo, admirados, quase sem saber para onde olhar, tamanha a riqueza de detalhes.
Presidente Carvalho sentiu um misto de sentimentos.
Ele sabia que sua situação não era ruim, mas jamais se vangloriou disso, porque entendia que sempre há pessoas mais bem-sucedidas no mundo.
Ao entrar ali, porém, percebeu que aquilo que Gustavo Ferreira desprezava, para ele seria um verdadeiro tesouro.
Ficou claro que ainda teria um longo caminho até alcançar alguém como Gustavo Ferreira.



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