O último a chegar foi Pablo Meireles, atrasando-se por uma hora inteira.
— Desculpem, tive que resolver umas pendências de um projeto antigo. O cliente é complicado, acabei me enrolando por lá — justificou-se Pablo, sem demonstrar muita preocupação.
— Sem problemas. A reunião está encerrada — disse Melina Barbosa, levantando-se da cadeira com tranquilidade.
Os outros se entreolharam, confusos, sem entender o que estava acontecendo.
Afinal, nem sequer haviam começado a reunião. Encerrar agora? Era estranho demais.
Luísa Viana também não compreendeu, mas, por ter chegado antes, seguiu a orientação de Melina Barbosa. Assim que Melina saiu, Luísa também se retirou da sala.
— Isso não faz o menor sentido. Chamam a gente aqui e não falam nada, acham que a gente é o quê?
— Espera aí, não falaram nada? Mas vocês já estavam aqui faz tempo, não? — perguntou Pablo Meireles, intrigada.
Ela tinha visto Melina entrar na sala e, de propósito, demorou para aparecer.
De repente, alguém lembrou:
— Ah, lembrei! Melina Barbosa disse que somos um time e que só começa a reunião quando todos estiverem presentes. Ela não quer repetir informação. Ainda avisou que, na próxima vez, espera que ninguém falte, pois paciência tem limite.
Pablo Meireles não deu a mínima para o que Melina dissera. Riu com desdém:
— Grande coisa, conseguiu fechar um contrato e já pensa que manda em tudo? Perdeu a noção do próprio lugar! Quero só ver como ela vai tocar esse projeto sem a gente.
— Você não faz ideia. Ficamos um tempão lá dentro com ela calada, só olhando pra gente. Aquela expressão... parecia que ela era a chefe.
Pablo Meireles deu outra risada, achando tudo um exagero.
Assim que saiu da sala, contou tudo o que aconteceu a Ana Silveira.
Ana Silveira também achou graça:
— O que foi, Luísa?
Luísa então contou o que acabara de escutar na copa.
— Melina, e agora? E se elas realmente se recusarem a ajudar no projeto? É um trabalho enorme, se ficar só por sua conta, pode ser impossível entregar no prazo. E aí, como fica o contrato?
A expressão de Melina Barbosa permanecia tranquila. Ela respondeu com confiança:
— Fique tranquila, Luísa. O projeto vai correr bem. Mas, antes de tudo, precisamos tirar do caminho quem só atrapalha.
Luísa entendeu imediatamente quem eram essas pessoas de que Melina falava.
Apesar da confiança de Melina Barbosa, Luísa ainda se sentia apreensiva.
No dia seguinte, Melina Barbosa marcou outra reunião, comunicando antecipadamente: reunião só começaria se todos estivessem presentes, como da última vez.

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