Mateus Domingos, ao lembrar-se da cena em que Melina Barbosa foi carregada por Gustavo Ferreira, sentiu uma raiva incontrolável crescer em seu peito. Voltou-se para Manuela Barbosa e disse:
— Eu não vou deixar que eles consigam o que querem! Por mais poder e influência que Gustavo Ferreira tenha, aqui não é terra de ninguém!
Manuela Barbosa deixou transparecer um brilho malicioso nos olhos, um sorriso de quem tinha alcançado seu objetivo passando rapidamente por seu rosto.
...
No dia seguinte, Melina Barbosa entrou no escritório de Simão Pessoa segurando o contrato.
Simão Pessoa pegou o documento e disse:
— Sei que você fez tudo o que podia, mas não ter conseguido é mesmo um prejuízo para a empresa.
— Vou relatar tudo à diretoria, pode ficar tranquila.
Enquanto falava, largou o contrato de lado, sem dar muita atenção.
Melina Barbosa então o lembrou:
— Gerente Simão, o senhor não vai dar uma olhada?
Simão Pessoa achou a atitude dela estranha. Se nem tinha conseguido fechar o acordo, para que olhar? O que haveria de interessante?
— Não precisa...
— Se não olhar, como vai saber se podemos avançar com a parceria? — disse Melina Barbosa.
— Parceria? Que parceria? — Simão Pessoa se surpreendeu, como se de repente tivesse percebido algo. Com as mãos um pouco trêmulas, pegou de volta o contrato e começou a folheá-lo.
Ao ver a assinatura de Renato Oliveira no documento, finalmente entendeu: Melina Barbosa tinha conseguido fechar o contrato!
— Isso não é possível! — exclamou ele, espantado.
Melina Barbosa olhou calmamente para ele e, fingindo ingenuidade, perguntou:
— Gerente Simão, por que diz isso? O senhor não me entregou o contrato porque confia na minha capacidade? Não acreditou que eu conseguiria?
Simão Pessoa ficou sem palavras por um instante.
— É verdade! Você fez um excelente trabalho! — forçou um sorriso, falando com certa dificuldade.
— Obrigada pelo elogio, Gerente Simão. Se não houver mais nada, vou voltar ao trabalho.
Ana ouviu os cochichos e seu semblante ficou ainda mais sombrio.
— Melina.
Luísa Viana apareceu de repente, como sempre, mas desta vez trazia um sorriso traquina no rosto.
Melina Barbosa olhou para ela e brincou:
— Por que esse sorriso todo? Achou um tesouro?
Luísa Viana, ao ouvir sobre tesouro, arregalou os olhos:
— Se eu realmente achasse um tesouro, minha vida estava feita!
Melina Barbosa riu:
— Está mesmo precisando de dinheiro, hein?
Luísa Viana suspirou, quase chorosa:
— Dinheiro não é tudo, mas sem dinheiro não dá para viver. O fim do mês chegou e o salário acabou.

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