Os olhos de Renato Oliveira brilharam com um toque de interesse. Duas pessoas, um cartão, e ambos válidos? Que situação curiosa, nunca tinha visto algo assim antes.
— Presidente Renato, o que devemos fazer? — perguntou um dos funcionários.
Antes que Renato Oliveira respondesse, Manuela Barbosa se adiantou:
— É só verificarem de quem é o cartão. Ele pertence ao meu noivo, Mateus Domingos. Foi ele quem me deu, então, de onde você acha que a minha irmã conseguiu esse cartão?
Com uma expressão serena, Melina Barbosa respondeu:
— Eu mesma abri o cartão.
Renato Oliveira então declarou:
— Já que cada um tem sua versão, vamos ligar e tirar a dúvida.
Que fofoca gratuita, pensou ele, como poderia deixar de acompanhar?
Que tipo de esposa o Jaime arrumou? Realmente curioso.
Enquanto isso, Melina Barbosa refletia consigo mesma, querendo saber até onde iria a falta de escrúpulos de Mateus Domingos.
A ideia do cartão do haras tinha sido dela. No momento da abertura, pretendia fazê-lo em seu próprio nome, mas Mateus Domingos insistiu para que fosse em nome da empresa, alegando que haveria vantagens, como descontos e a possibilidade de emitir nota fiscal. No fim, ela cedeu, pensando no bem da empresa e dele.
Mas o dinheiro era do seu próprio bônus!
Nesse momento, o telefone de Mateus Domingos foi atendido e o porteiro explicou a situação.
— Então, quem é o titular do cartão? Quem o senhor autoriza a entrar? — perguntou o porteiro.
Do outro lado, Mateus Domingos ficou em silêncio, talvez hesitando.
Manuela Barbosa, é claro, não deixaria Melina Barbosa sair por cima, a menos que quisesse perder a dignidade.
— Mateus, estou aqui, está tudo bem — disse Manuela Barbosa, enviando uma mensagem implícita.
Mateus Domingos entendeu o recado. Tinha pensado em dizer que o cartão era de Melina Barbosa, mas ao ouvir a sugestão de Manuela, respondeu:
— Manuela Barbosa.
Ouvindo o que queria, Manuela Barbosa virou-se para Melina Barbosa com um sorriso triunfante:
Manuela Barbosa, aproveitando para alfinetar, acrescentou:
— Pois é, irmã. Se estiver difícil, pode me pedir emprestado.
Melina Barbosa nem sequer olhou para Manuela. Virou-se para o porteiro:
— Por favor, seja rápido.
— Claro, vou providenciar imediatamente. Só um momento.
Manuela não entrou, querendo assistir à humilhação da irmã ao ter o cartão recusado.
Mas, para sua decepção, Melina conseguiu concluir o processo.
Quando o porteiro entregou o novo cartão com toda a deferência, o rosto de Manuela ficou tão fechado que parecia prestes a chover.
Melina olhou para Manuela, esboçou um leve sorriso e disse:
— Ah, é mesmo.

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