— Amor, na verdade você não veio hoje só para prestar homenagem à Flávia Rocha, não é mesmo? — perguntou Simone Oliva em voz baixa.
Roberto Barbosa soltou um resmungo frio. Inicialmente, era exatamente para isso. Mas agora, tudo tinha ido por água abaixo.
E a culpa era toda dele, que tinha perdido o controle num momento de impulso.
Ele até queria se conter, mas não sabia o que lhe deu hoje, simplesmente explodiu.
— Falaremos sobre isso outra hora, se houver oportunidade — disse Roberto Barbosa.
Simone Oliva sorriu levemente e não insistiu no assunto.
…
Com o fim do recesso de primavera, todos já estavam de volta ao trabalho, inclusive Melina Barbosa, que retomou suas atividades no departamento de design.
Ao chegar de carro ao estacionamento, pronta para fazer a baliza, um Porsche avançou rapidamente e ocupou a vaga que era dela por direito.
A motorista desceu do carro. Era Ana Silveira.
Ana Silveira, cheia de arrogância, se aproximou do carro de Melina Barbosa e bateu no vidro.
Assim que Melina Barbosa abaixou o vidro, Ana Silveira elevou a voz num tom de desprezo:
— Está cega? Não viu que essa vaga era minha? Se arranhar meu carro, nem te vendendo vai conseguir pagar o prejuízo!
Ana Silveira mantinha o queixo tão erguido que parecia olhar o mundo pelo nariz.
O carro de Melina Barbosa era um modelo econômico, elétrico, de valor acessível, algo que Ana Silveira desprezava completamente.
Melina Barbosa lançou-lhe um olhar frio e, baixando a voz, respondeu:
— Cuide melhor das suas palavras ou, da próxima vez, eu mesma lhe ensino como se olha para o trânsito.
Enquanto falava, Melina Barbosa passou a mão pelo ombro, como se estivesse tirando um fiapo invisível.
E completou:
— Esse pó na sua boca veio da sua falta de elegância ao frear? Sugiro que peça o dinheiro da autoescola de volta, já que não te ensinaram a dirigir de olhos abertos.
— Você... — Ana Silveira ficou sem reação, surpresa com a rapidez e a ferocidade das palavras de Melina Barbosa. Sentiu-se prestes a explodir de raiva.
Enquanto ainda procurava uma resposta à altura, Melina Barbosa já partia com o carro, deixando uma nuvem de fumaça que cobriu o rosto de Ana Silveira.
Melina Barbosa encontrou outra vaga com facilidade, manobrou e estacionou com perfeição.
Ana Silveira, furiosa, bateu o pé e disse entre dentes:
— Sua ordinária, me aguarde!
— Jaime, quem é aquela moça?
O rosto de Gustavo Ferreira fechou de tal maneira que parecia que ia chover.
— Você se interessou por ela?
— Claro, ela é muito bonita — respondeu Renato Oliveira, sentindo a temperatura ao redor despencar e engolindo em seco, sem perceber.
— Ela é minha esposa.
— O quê?!
Renato Oliveira quase mordeu a própria língua de tão surpreso. Virou-se indignado para Samuel Palmeira, que estava tapando a boca para não rir, os olhos quase fechados de tanto se divertir.
Se Renato Oliveira não tivesse entendido que Samuel Palmeira armou para ele, seria mesmo um tolo.
Renato Oliveira reclamou, furioso:
— Samuel Palmeira, você já sabia, não sabia?!
Samuel Palmeira ergueu as sobrancelhas e respondeu:
— E daí se eu sabia, e daí se não sabia? O Jaime nem abriu a boca, e eu, mero espectador, ia me meter pra quê?

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