Quando Melina Barbosa e Gustavo Ferreira chegaram ao hospital para buscar a avó e a cuidadora, seguiram juntos para o cemitério.
Assim que chegaram, já havia um buquê de flores diante do túmulo da mãe — lírios perfumados, os preferidos dela.
Ao ver aquelas flores, a avó suspirou com certa melancolia:
— Essa pessoa… sempre chega antes de nós.
— Pois é — respondeu Melina Barbosa.
Mais uma vez, haviam chegado tarde.
Todas as vezes que ia ao cemitério, Melina encontrava diante da lápide da mãe não só as flores favoritas, mas também o doce que ela mais gostava.
Sempre teve curiosidade de saber quem era, mas nunca conseguia encontrar a pessoa. Desta vez, não foi diferente.
— Se você realmente quiser saber quem é, posso investigar para você — disse Gustavo Ferreira.
Melina Barbosa balançou a cabeça:
— Não precisa. Quem faz isso sempre evita a nossa presença, não quer se encontrar conosco.
— Sendo assim, é melhor não insistirmos.
— Talvez, um dia, se for para acontecer, nos encontraremos.
A avó, ao lado, assentiu, compartilhando da mesma opinião.
Gustavo Ferreira também concordou. Já que Melina e a avó haviam tomado uma decisão, ele não insistiria.
— Gustavo, venha cá — chamou a avó, puxando Gustavo Ferreira para a frente do túmulo. Olhando para a foto sorridente de Flávia Rocha, disse com carinho: — Minha filha, esse é seu genro. Meli e Gustavo já se casaram, estão muito felizes. Você pode ficar tranquila.
Gustavo Ferreira olhou para a foto de Flávia Rocha com seriedade e respeito, e falou com voz firme, ainda que sentisse a garganta apertada, mais nervoso do que em qualquer negociação milionária:
— Mãe, sou Gustavo Ferreira, marido da Melina Barbosa.
— Prometo que cuidarei bem dela, sempre.
Melina Barbosa e a avó sentiram os olhos marejados.
Nesse momento, um grupo se aproximou.
Melina reconheceu os passos e, ao se virar, viu Roberto Barbosa e Simone Oliva, seguidos de Mateus Domingos e Manuela Barbosa.
— Mãe, hoje é o aniversário de falecimento da Flávia. Vim prestar minhas homenagens.
— Você não tem esse direito! — a avó disparou, a voz cortante. — Sua presença só mancha o ar deste lugar.
Tão tomada pela emoção, a respiração da avó ficou ofegante.
Melina Barbosa rapidamente foi acalmar a avó, dizendo:
— Chega! Vocês vivem tão bem, mas nem no dia da minha mãe conseguem se conter e precisam vir aqui causar tumulto?
— Acham que assim vão mostrar que são importantes?
— No passado, Simone Oliva não passaria de uma concubina, e diante da minha mãe, que era a esposa legítima, teria que se ajoelhar. Se não é capaz disso, então não venha!
— Cada segundo que vocês permanecem aqui é um insulto à memória da minha mãe. Sumam daqui!
Os olhos de Simone Oliva se encheram de lágrimas, o rosto tomado por uma expressão de mágoa.
Ela olhou para Roberto Barbosa, a voz trêmula:
— Querido, eu era amiga da Flávia. Só queria prestar uma homenagem. Isso é errado?

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