Ela parecia estar, pela primeira vez, encarando um homem de maneira tão encantada, a ponto de ficar tanto tempo perdida em pensamentos!
A culpa era toda de Gustavo Ferreira: ele era bonito de um jeito quase irresistível, impossível não querer olhar mais um pouco.
Melina Barbosa abriu a janela para respirar, sentindo o vento fresco em seu rosto. Finalmente, começou a se sentir um pouco melhor.
— Então... Por que será que a mãe pediu para a gente voltar para a casa antiga de novo? Aconteceu alguma coisa? — perguntou Melina, tensa.
Gustavo Ferreira reduziu a velocidade, soltou uma das mãos do volante e apertou de leve a mão de Melina, falando suavemente:
— Não importa o que aconteça, eu sempre vou estar ao seu lado.
Melina olhou para Gustavo, sem saber se ria ou se chorava.
— Você falando assim, eu fico ainda mais nervosa.
Gustavo riu, admitindo:
— Acho que não sou muito bom em consolar os outros.
Melina piscou para ele:
— Tá ótimo assim.
— Hm? — Gustavo a encarou, sem saber se ela estava elogiando ou tirando sarro.
— Presta atenção na estrada — disse Melina, dando uma leve tosse para disfarçar.
Gustavo só pôde voltar a se concentrar no volante.
Logo chegaram à casa da família Ferreira.
Melina desceu do carro carregando várias sacolas com presentes.
— Aqui é sua casa, minha filha, não precisa dessas formalidades — disse vovô João Ferreira, com um sorriso cheio de carinho.
Melina pensou que, apesar das palavras, no Brasil também tem um ditado: “Ninguém recusa gentileza de quem chega sorrindo.” Ela só queria, sem perceber, deixar uma boa impressão em todos.
Gustavo comentou:
— Eu disse isso pra ela, mas Melina falou que não era questão de formalidade, e sim porque gosta de todos vocês. Por isso, fez questão de escolher coisas que combinassem com cada um.
Parecia feita à mão: negra, brilhante, textura fina sem bolhas, e um aroma puro e marcante.
Os olhos de vovô João brilharam ao pegar o presente. Sentiu o peso firme na mão, girou a pedra na palma e ouviu um som nítido, como o de um bambu bem trabalhado.
— Que tinta maravilhosa! De verdade, excelente!
Vovô João era um homem que entendia do assunto. Se ele disse que era boa, é porque era mesmo.
— Melina, onde você conseguiu essa tinta? — perguntou o tio Kauan Ferreira.
Melina respondeu:
— Não comprei, foi um amigo que me deu. Achei que o vovô ia gostar, então trouxe para cá — só emprestei a flor para enfeitar o altar.
Melina foi sincera. Se fosse outra pessoa, talvez exageraria para valorizar mais o presente.
A impressão de todos sobre Melina melhorou ainda mais.
Ainda assim, havia quem olhasse para ela com outros pensamentos.

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