Nicole Martins achava que Gustavo Ferreira ficaria com ela, ou ao menos lhe diria algumas palavras de consolo. No entanto, a atitude dele permanecia fria e distante.
— Gustavo, você... você pode ficar comigo um pouco? — A voz de Nicole Martins carregava um tom suplicante, e seu olhar era puro anseio.
O semblante de Gustavo Ferreira não demonstrou qualquer emoção e o tom de sua resposta seguiu impassível.
— Tenho outras coisas a fazer. Os seguranças vão chegar em breve, não se preocupe.
Após dizer isso, ele se virou, pronto para sair.
Nicole Martins, tomada pelo desespero, apressou-se em segurar a manga do paletó dele.
— Gustavo, eu... Eu realmente estou com medo, será que você pode...
Gustavo Ferreira parou, olhou para a mão dela e disse, já com certa impaciência:
— Nicole Martins, já chega.
A mão de Nicole tremeu levemente e, em seguida, ela soltou a manga dele.
Seu rosto empalideceu na hora, o olhar se encheu de decepção e mágoa.
Gustavo Ferreira não lhe deu mais atenção e saiu do quarto sem olhar para trás.
Vendo a cena, Cláudia Castro se apressou em consolar Nicole Martins.
— Nicole, o Presidente Gustavo já providenciou os seguranças. Não precisa se preocupar tanto.
Nicole, porém, parecia não ouvir. Ficou parada, olhando, sem reação, para o corredor por onde Gustavo Ferreira tinha acabado de sumir, enquanto as lágrimas deslizavam silenciosamente pelo rosto.
— Por quê... Por que ele sempre age assim... — murmurou Nicole Martins, a voz entrecortada de amargor.
Cláudia Castro suspirou e bateu de leve no ombro dela.
— Nicole, não fique pensando nisso agora. Tente descansar um pouco.
Nicole Martins não respondeu, apenas fechou as mãos em punhos, cravando as unhas nas palmas.
Se era assim, não a culpassem pelo que faria.
Melina Barbosa, você acha que venceu?
Espere para ver!
O melhor ainda está por vir!
Enquanto isso, Gustavo Ferreira entrou no carro. O motorista o cumprimentou com respeito:
— Presidente Gustavo, vamos para casa?
Gustavo Ferreira olhou as horas. Já não era cedo, então assentiu.
A reunião da noite ele havia deixado para os gerentes resolverem.
Mas não era o aroma do sabonete que costumavam usar em casa.
O coração de Melina Barbosa titubeou, tomada por uma sensação estranha.
— O que foi? — Gustavo Ferreira percebeu o silêncio dela e perguntou, preocupado.
— Nada, já comi alguma coisa. Quer que eu faça um macarrão para você? — Melina Barbosa sugeriu.
Um leve sorriso apareceu nos olhos de Gustavo Ferreira.
— Quero, obrigado pelo carinho.
Assim, Melina Barbosa foi para a cozinha preparar o macarrão.
Por sorte, ainda havia verduras e ovos na geladeira.
Como já era noite, ela não quis preparar nada pesado e fez um macarrão com verduras e ovos.
A habilidade de Melina Barbosa na cozinha era elogiada, pois, desde que morava com a avó, esta sempre temia que a neta não soubesse se cuidar quando estivesse sozinha.
Por isso, a avó fazia questão de ensinar Melina a cozinhar.
E ela, de fato, tinha talento.
Logo, Melina Barbosa trouxe o prato de macarrão pronto para a mesa.

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