Um traço de pânico passou pelos olhos de Bernardo, mas logo desapareceu. — A pessoa com quem negociei hoje era uma mulher, o carro dela foi para a manutenção, e eu a deixei na empresa depois de assinarmos o contrato.
Rafaela não duvidou e entrou no carro.-
Bernardo ajudou Rafaela a colocar o cinto de segurança, deu a volta no carro para entrar e depois dirigiu rumo ao Restaurante L’Essence.
Durante o jantar, o celular de Bernardo, que estava sobre a mesa, tocou.
Rafaela viu que Bernardo usava luvas para descascar camarões para ela e decidiu atender e colocar no viva-voz por ele.
— Não atenda. — Bernardo a impediu e, ao ver Rafaela olhá-lo com dúvida, disse com naturalidade: — Número desconhecido, deve ser ligação de telemarketing, pode desligar.
Rafaela assentiu e rejeitou a chamada.
Mas, poucos segundos depois, o mesmo número ligou de novo.
Ligações de telemarketing não costumam retornar depois de serem rejeitadas.
— Pode ser algum cliente. — Bernardo já havia tirado as luvas, pegou o celular e atendeu a ligação.
Rafaela não conseguiu ouvir o que a outra pessoa disse, apenas viu a expressão de Bernardo ficar tensa de repente.
Ela conteve a preocupação e, quando ele desligou, perguntou logo: — O que foi?
— Aconteceu uma emergência na empresa, preciso ir lá.
— Agora?
Bernardo olhou para a comida que Rafaela mal havia tocado. — Coma primeiro, quando terminar, eu te deixo em casa e vou.
Rafaela não queria atrapalhar os assuntos de Bernardo por causa dela. — Pode ir, eu ligo para o Aguiar vir me buscar.
— Não precisa, eu espero você.
Rafaela puxou a mão de Bernardo e a colocou sobre seu ventre arredondado. — O bebê ainda está esperando você ganhar dinheiro para o leite, vá logo, eu dou um jeito sozinha.
Bernardo acariciou a barriga de Rafaela com uma expressão suave. — Tudo bem, vou fazer o que você diz.
— Foi internada e ainda diz que é um arranhão? Me fala logo, em qual hospital você está? Qual quarto?
Letícia deu o endereço detalhado.
Rafaela desligou e pediu para Aguiar levá-la ao Hospital do Povo.
Cerca de vinte minutos depois.
Rafaela entrou na ala de internação e, ao chegar aos elevadores, viu Bernardo inesperadamente.
Ele segurava uma sacola de compras com uma mão e olhava o celular com a outra.
— Bernardo, o que você está fazendo aqui?
Bernardo ouviu a voz familiar, apertou o celular e demorou um segundo para erguer a cabeça. — Rafa, por que você veio ao hospital?
— Letícia sofreu um acidente de carro, vim vê-la.

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