Cecília abaixou a cabeça, mordendo com força o lábio por dentro. Seus pensamentos estavam a mil, mas ela simplesmente não encontrava uma resposta para Heitor.
— Sr. Heitor, eu só falei da boca para fora. Que motivo difícil de contar ela teria? Tudo tem seu fim. A Srta. Cecília ainda é jovem, não vai trabalhar no Grupo Prospera a vida toda. — Valéria tentou, sem jeito, encontrar uma desculpa para ela.
Os olhos estreitos de Heitor permaneceram fixos em Cecília, ignorando completamente as palavras de Valéria.
Cecília respirou fundo. Ergueu a cabeça, forçou um leve sorriso e seguiu a deixa de Valéria.
— Exatamente. Nem um casamento dura para sempre, quanto mais um emprego.
Ela fingia estar tranquila, mas a melancolia que escapava de seus traços suaves não passou despercebida aos olhos de Heitor.
Aquela tristeza ele a interpretou como aversão. Aversão ao casamento de dois anos que tiveram. Aversão àquele trabalho. E, ligando as duas coisas, estava ele.
O pomo de Adão de Heitor moveu-se lentamente enquanto seu olhar se tornava cada vez mais penetrante. Com o contorno firme do maxilar e os lábios finos entreabertos, ele disse friamente:
— Fique tranquila. Se a Srta. Cecília voltar a pensar em pedir demissão, a empresa não vai insistir para que fique. — Assim que terminou de falar, virou-se e foi embora.
— De novo vou ficar sem almoçar... — Leandro soltou um longo suspiro e o acompanhou para fora.
A presença de Heitor havia deixado o refeitório completamente silencioso. Assim que ele saiu, o barulho das conversas voltou imediatamente. Pequenos grupos se formaram, e inúmeros olhares eram lançados na direção de Cecília.
Ela voltou a se sentar e olhou para a comida em sua bandeja. Estava faminta há poucos minutos, mas, de repente, perdeu completamente o apetite.
— Me desculpa. — Valéria também se sentou. — Eu não fazia ideia de que o Sr. Heitor apareceria no refeitório. Acabei te colocando numa situação complicada.
— Não tem problema. — Cecília forçou um sorriso. — Vamos comer.
Pelo bem do bebê em sua barriga, mesmo sem vontade, ela precisava se alimentar.
— Esse povo adora falar da vida dos outros. — Ao perceber que todos ao redor cochichavam sobre o ocorrido, Valéria sentiu-se ainda mais culpada. — Me desculpa mesmo, Cecília.
— Come logo. Daqui a pouco esfria. — Cecília deu um tapinha em sua mão.
— Eu vou explicar tudo ao Caio. — Valéria ainda pretendia aproximar os dois. Mas, depois de prejudicar Cecília sem querer, já não tinha coragem de insistir no assunto.
Cecília apenas assentiu.

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