Nos últimos dias, por causa do que aconteceu com Juju, ela não teve oportunidade de voltar a conversar com Cecília sobre a gravidez. E, pelo tom de Cecília, aquele bebê definitivamente ia nascer.
Vendo-a tão preocupada, Ariane não insistiu no assunto. Ela saiu discretamente da cozinha e mandou uma mensagem para Nicole, atualizando-a sobre a situação.
Nicole respondeu, pedindo que ela continuasse de olho em tudo e conseguisse, de qualquer jeito, confirmar pela boca de Edna se Cecília estava mesmo grávida.
— Essa velha é exigente demais. Se eu fico conversando dois minutos, ela já diz que estou matando serviço!
Desde o primeiro dia em que chegou, Ariane tentava arrancar alguma informação. Mas Edna, sempre que a via sem fazer nada, arrumava logo um serviço para ela. Ela simplesmente não encontrava oportunidade. As poucas palavras que tinham acabado de trocar já eram muito.
— Continue observando. — Depois de dizer isso, Nicole desligou.
Ariane guardou o celular. Assim que virou a cabeça, deu de cara com Edna parada bem atrás dela.
— S-Sra. Edna... — Ela gaguejou.
— O que foi? — Edna franziu as sobrancelhas e a encarou friamente. — Ligando para a família para reclamar? Todos os outros vêm trabalhar no orfanato como voluntários, sem ganhar um centavo. Você recebe salário e ainda reclama do serviço? Não disse que adorava crianças?
O rosto de Ariane perdeu toda a cor. Ela sorriu sem graça, tentando amenizar a situação.
— Sra. Edna, não leve a mal. Eu realmente gosto de crianças. É que estou começando agora e ainda não me acostumei com o trabalho.
— Gosta mesmo? — Perguntou Edna, desconfiada.
— Eu juro! Gosto mesmo de crianças. Gosto muito, muito mesmo! — Ariane ergueu três dedos em juramento.
— Já que é assim, então, a partir de hoje, você vai cuidar das crianças do quarto leste. — Edna enfiou um pacote de fraldas descartáveis em seus braços. — Está na hora de trocar as fraldas. Vá. Depois de terminar, volte para dar comida a elas.
As crianças daquele quarto tinham problemas congênitos na parte inferior do corpo e usavam fraldas permanentemente.
Ariane nunca tinha feito um trabalho daqueles.
— Sra. Edna, eu nunca fiz isso. Tenho medo de fazer errado! — Seu rosto empalideceu por completo.
— Depois da primeira vez, você aprende. — Edna não lhe deu margem para discutir. — Vá logo. O que está enrolando? Se não quiser fazer, pode ir embora.

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