Heitor estava deitado bem ao lado dela. Sua camisa permanecia aberta, botão após botão desabotoado, revelando o peito firme e bem definido. Sua pele bronzeada, num tom de mel, exalava uma intensa masculinidade.
Após alguns segundos de hesitação, Cecília retirou a mão bruscamente.
No mesmo instante, o homem abriu os olhos lentamente. Seu olhar ainda carregava o torpor do sono e uma preguiça descontraída.
Sem perder tempo, Cecília sentou-se na cama e segurou o lençol fino com as duas mãos, pronta para puxá-lo sobre o corpo, mas logo percebeu que ainda estava completamente vestida.
Heitor também apenas tinha alguns botões da camisa abertos, suas roupas continuavam praticamente intactas.
As cortinas, entreabertas, deixavam a luz da manhã inundar o quarto. Do lado de fora do escritório, ouviam-se passos e conversas baixas.
Sem ousar olhar para ele, Cecília pegou o celular que estava ao lado do travesseiro. Já eram nove e meia da manhã!
— Sr. Heitor, vou sair. Preciso voltar ao trabalho. — Ela afastou o lençol, levantou-se e começou a alisar cuidadosamente o vestido amarrotado.
Heitor ergueu um braço e o apoiou sob a cabeça, observando-a enquanto ela esticava, pouco a pouco, cada dobra do tecido.
Talvez fosse porque fazia tempo que não a abraçava. Na noite anterior, quando a carregou para a cama, teve a impressão de que sua cintura estava um pouco mais larga. Era macia e carnuda. Ou talvez Cecília simplesmente tivesse engordado.
O olhar atento dele fez um suor frio escorrer pelas costas dela.
Era óbvio que tinha sido Heitor quem a tinha levado até ali.
Embora não tivesse ganhado muito peso desde antes da gravidez, sua barriga já começava, de fato, a despontar. Cada olhar que ele lançava em sua direção fazia Cecília sentir, por um instante, que seu segredo havia sido descoberto.
Por sorte, ainda havia poucas pessoas no departamento de secretaria e ninguém percebeu que ela estava saindo do escritório de Heitor.
— Bom dia, Ceci! — Valéria saiu do elevador e caminhou diretamente até ela, colocando um recipiente térmico azul-claro sobre sua mesa. — Caio preparou uma sopa nutritiva e pediu para eu trazer uma porção para você.
— Não precisa. Eu já tomei café da manhã. — Cecília hesitou por um instante, pegou imediatamente o recipiente e tentou devolvê-lo.
— Eu sei. É para você guardar e comer no almoço. — Valéria empurrou o recipiente de volta. — Não faça cerimônia. Já que ele preparou para você, aproveite. Ele cozinha muito bem.
Depois de dizer isso, Valéria voltou rapidamente para a sala das secretárias.
Cecília ainda quis alcançá-la, mas já era tarde.

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