O rosto de Hélder era de pura frieza, beirando a repulsa.
Ele levantou a mão para sacudi-la com tanta força que Silvana perdeu o equilíbrio e caiu no chão. Ignorando a dor, ela se arrastou rapidamente e se agarrou à barra de suas calças:
— Hélder, eu errei. Peço desculpas pelo que o Ciro fez. Eu não deveria ter me envolvido tanto com ele, mas eu juro que não machuquei a Eulália. Por favor, acredite em mim.
Sentada na cama, Eulália observava a cena de forma inexpressiva.
Silvana era uma atriz nata.
Ela chorava de forma tão angustiante e comovente que apertava o coração.
Eulália desviou o olhar para o rosto de Hélder. Ele sequer olhou para a mulher de joelhos no chão, mantendo uma expressão de profunda indiferença:
— Eu te dou um minuto. Saia deste quarto imediatamente.
Silvana balançou a cabeça em completo desespero:
— Seria melhor me matar! Eu não vou para um lugar como aquele. Eu me recuso a ir para qualquer um deles!
Clínica de Reabilitação? Ela não conseguia nem imaginar o tipo de gente que havia lá dentro.
Quando as crises de abstinência os atacavam, a sanidade desaparecia; a automutilação era o de menos. Pareciam mais monstros do que humanos, berrando e chorando sem parar, dia após dia.
Se ela fosse para lá, mesmo que Hélder não arquitetasse nada, era muito improvável que saísse ilesa.
E a cadeia ou o hospital psiquiátrico eram lugares de onde não havia retorno. Ela com certeza não iria para lá.
— A morte seria muito fácil para você. — Ele respondeu com rispidez. — Não quer ir? Então espere pela falência da família Cardoso. Vocês três vão viver nas ruas.
— Sumam.
— Demorem mais um segundo e o acordo está desfeito.
Um calafrio correu pelo corpo de Fabrício.
Hélder queria forçar a família deles a se destruir mutuamente, e ele mesmo ficaria com as mãos limpas, tudo sob o pretexto de ter lhes oferecido uma escolha.
Ou, talvez, como homem de negócios, ele já soubesse exatamente qual escolha Fabrício faria.
Observando o colapso de Silvana, o olhar de Fabrício escureceu, e ele a arrastou para fora do quarto do hospital.
O silêncio finalmente retornou.
A cena recém-ocorrida não provocou a mínima emoção no coração de Eulália.
A sobrevivência ou a ruína daquela família não lhe diziam respeito.
Sem demonstrar qualquer sentimento, ela desviou o olhar e preparou-se para deitar de novo, mas foi impedida pelo homem.
Era a primeira vez que ambos se encontravam em um estado razoavelmente lúcido desde a tragédia com o bebê.
— Você não comeu por dois dias, só foi mantida pelo soro. Se não cuidar do seu corpo no pós-parto, sua imunidade vai despencar e você pode acabar cheia de problemas de saúde depois.
A voz de Hélder soava extremamente rouca, adotando um tom cauteloso para agradá-la.
— Eu trouxe sopa, você pode comer um pouco antes de dormir, por favor?
Eulália sequer olhou para ele, murmurando lentamente:

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