Após um momento de silêncio, ela ergueu o olhar para Hélder.
Sendo assim, o seu pedido de divórcio seria uma forma de libertá-lo.
Eulália virou-se e olhou solenemente para Estevan e Teresa.
— Pai, mãe, sinto muito por causar problemas a vocês, e sei que a minha origem não está à altura de Hélder, por isso quero o divórcio e peço a bênção de vocês.
A declaração deixou ambos perplexos.
— Eu não concordo. — Estevan opôs-se sem pensar duas vezes. — Origem não significa nada, e a família Gomes não é esnobe, então você não estaria nos jogando no olho do furacão com essa atitude?
— Pai, não foi isso que eu quis dizer. — Eulália explicou apressadamente, surpresa com a reação do sogro.
— Enfim, se querem se divorciar, esperem até que eu morra. — Declarou Estevan antes de sair com uma expressão sombria. — Minha saúde já não é boa, então vocês não terão que esperar muito tempo.
Eulália voltou o seu olhar para Teresa.
A sogra também não esperava um pedido de divórcio tão direto, pois sentia-se apenas enganada no momento e queria apenas exercer a sua autoridade.
Além disso, o Grupo Gomes estava em ascensão, e o casamento de Hélder não podia enfrentar escândalos.
Ao deparar-se com o olhar suplicante de Eulália, Teresa limpou a garganta para deixar clara a sua posição.
— Eu não mandei vocês se separarem, e se Esteven não concorda, eu naturalmente também não concordarei. — Disse ela. — Ninguém na família Gomes se divorcia, não podemos nos dar a esse luxo de passar vergonha.
Após declarar a sua postura, Teresa também se retirou.
Apenas Eulália e Hélder permaneceram na sala de estar.
— Sendo assim, não há necessidade de falar em divórcio novamente. — Hélder quebrou o silêncio após um momento.
— Sinto muito, Hélder. — Eulália olhou para ele com tranquilidade. — Fui eu quem atrasou a sua vida.
Dois anos perdidos, como não seria um atraso?
Ele apenas a tratava com frieza, sem usar palavras duras ou torturá-la psicologicamente, o que provavelmente já era o seu limite de tolerância.
No entanto, ela havia forçado essa situação por dois longos anos.
Isso não aconteceria mais.
Eulália virou-se e caminhou em direção à saída.
Ao observar a sua silhueta solitária, Hélder sentiu um leve aperto no coração, que rapidamente se dissipou.
Naquela noite, Eulália mudou-se para o quarto de hóspedes.
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No dia seguinte, a sua melhor amiga, Flávia Mendes, marcou um almoço com o grupo de quatro amigas, mas ninguém havia chegado quando Eulália apareceu.
Ela foi ao banheiro lavar as mãos e, no caminho de volta, ouviu uma voz familiar ao passar por uma sala reservada.
A porta do ambiente estava entreaberta.
A mão de Eulália tremeu na maçaneta, com as articulações esbranquiçadas pela força do seu aperto.
Foi porque Teresa desprezava Silvana que Hélder aceitara aquele casamento para poder protegê-la.
No dia anterior, ela ainda se questionava se Hélder era o tipo de homem que se deixava guiar por um sentimento de gratidão.
Como era de se esperar, ele havia sacrificado o seu próprio casamento apenas por causa de Silvana.
Agora tudo fazia sentido.
E ela ainda se sentira culpada por ele no dia anterior.
No fim das contas, ninguém devia desculpas a ninguém.
Ela não passava de um peão que ele havia utilizado no seu jogo.
— Eulália, o que você está fazendo aqui parada? — Flávia tocou-lhe o ombro por trás enquanto ela estava distraída.
Eulália voltou a si e puxou Flávia com a intenção de ir embora.
— Aquela vagabunda da Silvana voltou para o Brasil? — O rosto de Flávia mudou drasticamente ao ver a cena dentro da sala com o seu olhar aguçado.
Eulália ficou atônita.
Flávia não sabia do relacionamento entre Hélder e Silvana.
Teria ela alguma rixa com Silvana para apresentar uma reação tão intensa?

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