Os dois no quarto sentiram o corpo tremer quase ao mesmo tempo.
Os olhos de Hélder demonstraram uma dor profunda, sentindo subitamente como se sua garganta estivesse sendo esmagada, impedindo-o de respirar.
O rosto de Eulália ficou pálido como papel, assumindo uma transparência assustadora; suas forças desapareceram num instante, e ela amoleceu.
Hélder rapidamente a segurou:
— Eulália...
Com os olhos vermelhos, Eulália balançou a cabeça, incapaz de acreditar:
— Não pode ser, nós fizemos uma promessa ontem à noite de nos encontrarmos com saúde, ele não pode estar mal.
Ela só queria ver o pequeno Doçura com os próprios olhos para confirmar, sentindo que a enfermeira estava apenas fazendo uma brincadeira cruel com ela.
Se possível, ela desejava com todas as forças que fosse apenas uma brincadeira.
Sem a menor hesitação, ela arrancou a agulha do soro da mão, empurrou Hélder e, sem sequer calçar os chinelos, correu diretamente até a enfermeira, agarrando-a firmemente pelo braço:
— Onde ele está? Me leve até ele.
— Na UTI Neonatal.
Eulália a soltou e fez menção de sair correndo.
Hélder correu atrás dela e a impediu:
— Você acabou de dar à luz e não pode pegar friagem, calce os chinelos.
Dizendo isso, ele se abaixou com a intenção de colocar as pantufas nos pés dela.
Mas Eulália agiu como se não tivesse visto, passando por ele e correndo para fora.
Hélder não teve escolha a não ser segui-la.
Quando os dois chegaram à unidade de terapia intensiva, o médico constatou que a reanimação havia falhado e saiu com um olhar de pesar:
— Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, sinto muito. Entrem para vê-lo pela última vez.
Eulália encarava o rosto do médico cheia de esperança, mas ao ouvir aquelas palavras, as lágrimas jorraram de seus olhos; ela empurrou o médico e correu até a criança que ainda estava na incubadora.
Eulália perguntou ao médico, em meio a lágrimas e um sorriso partido:
— Ele só está dormindo ainda, não é? Ele só adormeceu.
O médico, acostumado a presenciar a vida e a morte, ainda assim não conseguiu suportar aquela cena, suspirou e disse:
— Meus pêsames.
Dito isso, ele foi embora.
Eulália cambaleou, e Hélder correu para ampará-la. Ao olhar para o filho deitado na incubadora, um turbilhão de emoções tomou conta de seus olhos.
Eulália o empurrou, tirou a criança da incubadora e colou seu rosto ao dele, tentando sentir sua respiração, enquanto dizia, rindo e chorando:
— Hélder, ele ainda está quentinho, ele ainda está vivo, não está?

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