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Após a volta da ex-namorada, a herdeira parou de fingir romance Capítulo 190

A advocacia era uma profissão de alto risco. Não eram raros os casos de clientes insatisfeitos que, movidos pelo ódio, resolviam se vingar de seus advogados. O caso do advogado Gustavo, que foi esfaqueado por um cliente e quase perdeu a vida, foi um exemplo vivo disso.

Cirilo estava de joelhos, implorando por sua vida:

— Me perdoe, por favor, senhora! Eu errei! Nunca mais faço isso, eu juro!

Helena franziu a testa e repetiu, com a voz firme:

— Eu perguntei: foi você quem contratou aquele homem para me empurrar na rua?

— Que rua? Que homem? — Cirilo parecia genuinamente confuso. — Não fui eu, eu nem te conhecia até agora!

— Não foi você? — Helena olhou para ele com desconfiança.

Se não era ele, quem poderia ser?

Helena ficou em silêncio por alguns segundos, ponderando. A possibilidade de Camila ser a responsável passou por sua mente, mas ela logo descartou essa hipótese.

Embora Camila fosse falsa e claramente não gostasse dela, Helena sabia que Camila não parecia ser alguém capaz de agir com tanta crueldade, ainda mais ao ponto de tentar matá-la.

Então, quem seria?

Um nome surgiu em seus pensamentos: Zuriel.

Gabriel já havia falado sobre a conexão de Zuriel com a família Costa e a rancorosa relação entre eles. Ele até a havia alertado de que Zuriel poderia tentar usá-la para se vingar.

Helena levantou o olhar para Cirilo, que estava à sua frente, com o rosto cheio de hematomas.

— Você trabalha para Zuriel?

Cirilo, aterrorizado, balançou a cabeça rapidamente.

— Não, eu nem sei quem é esse! Por favor, me perdoe, senhora! Eu prometo que vou compensar o Noah hoje mesmo! Eu nunca mais vou cometer esse erro! Só me deixe ir!

Helena o encarou com frieza.

— Se você não trabalha para Zuriel, por que me chamou aqui? E por que trouxe tantos capangas? Um dono de fábrica pequeno como você não teria coragem de fazer isso sozinho. Deve haver alguém por trás de você. Diga quem é, e eu posso pensar em te deixar ir.

Cirilo sentiu um calafrio percorrer sua espinha.

Ele não tinha coragem de revelar o nome do verdadeiro chefe. A pessoa para quem trabalhava era poderosa, com influência tanto no submundo quanto na sociedade “respeitável”. Todos no meio o conheciam como "chefe", e até mesmo a fábrica era dele. Cirilo não passava de um laranja, um representante legal sem nenhum poder real.

Só de pensar nas consequências de trair seu chefe, Cirilo começou a suar frio.

Ele engoliu em seco e respondeu, gaguejando:

— Não... Não tem ninguém por trás de mim. Eu pensei que, por você ser só uma jovem advogada, seria fácil te assustar. Só isso.

…

Na mansão no Solar dos Nobres, Manuela havia preparado uma mesa repleta de pratos que sabia que Helena gostava.

Com um sorriso gentil, Manuela chamou:

— Helena, você trabalhou muito hoje. Venha comer enquanto está quente.

Helena pegou os talheres, mas não sentia fome. Sua mente ainda estava presa ao ocorrido na rua naquele mesmo dia.

A lembrança da quase tragédia a deixava inquieta. Foi a primeira vez que esteve tão perto da morte. Por pouco, ela não viu o último nascer do sol de sua vida.

Enquanto estava absorta em seus pensamentos, Gabriel chegou.

— Helena, você está bem? — Gabriel perguntou, claramente preocupado. Ele se aproximou rapidamente e segurou os ombros dela, examinando-a com cuidado.

Helena voltou ao presente e o olhou.

— Gabriel, você já sabe de tudo.

Gabriel assentiu e, sem dizer mais nada, a puxou para um abraço apertado.

Ele fechou os olhos por um momento, aliviado. Pensar que quase a perdeu o deixou aterrorizado.

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