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Apenas Clara romance Capítulo 635

No mesmo instante, a expressão de Natan Cavalcanti escureceu.

— O que você veio fazer aqui?

A presença de Nádia Santos certamente não trazia boas notícias. Natan Cavalcanti lançou um olhar cortante para seu assistente.

— Eu não disse que não iria receber ninguém?

A intenção era clara: ele queria que o assistente a enxotasse.

Sem ter como recusar, o assistente engoliu em seco e tentou bloquear o caminho de Nádia.

— Nádia, sinto muito, mas o Presidente Natan tem compromissos hoje.

Sentado no sofá, Natan deixava óbvio que não queria vê-la de jeito nenhum.

Nádia Santos baixou os olhos e deu um sorriso educado.

— Presidente Natan, eu vim procurá-lo por um assunto relacionado à Segunda Senhora.

Natan Cavalcanti travou por um segundo, sem dizer nada.

Nádia Santos afastou o assistente com um gesto leve e caminhou em direção a ele.

— Durante esse tempo em que esteve fora, a Segunda Senhora estava na Cidade J.

— O que você disse? — Natan ergueu a cabeça bruscamente.

Ficou claro que ele não sabia de nada.

A dúvida começou a tomar conta de sua mente. Por que diabos Mariana Ramos iria para a Cidade J?

— A Segunda Senhora descobriu que o Presidente Cavalcanti ainda está vivo, e que ele se encontrava na Cidade J. Por isso, ela foi sozinha até lá. Se o senhor não acredita, pode mandar alguém verificar os registros de voo de quinze dias atrás.

Os músculos do rosto de Natan se enrijeceram, e ele cerrou os punhos disfarçadamente. Ele não duvidava das palavras de Nádia, pois os registros de voos eram provas irrefutáveis.

Após um momento, ele disse com frieza:

— Mesmo que ela tenha ido para a Cidade J, por que você veio me contar isso?

Nádia Santos tirou um contrato de sua pasta e o colocou sobre a mesa.

— Por que o Presidente Natan não dá uma olhada com os próprios olhos?

Sem hesitar, Natan pegou o documento. Ao abri-lo, suas pupilas encolheram ao ler as palavras "Separação da Família".

Seu rosto perdeu a cor de imediato.

Natan ergueu o olhar de supetão, encarando Nádia como se seus olhos fossem lâminas afiadas.

— Você é bem leal, não é? Quanto o João Cavalcanti está te pagando por essa visitinha?

Sem mudar a expressão, Nádia manteve o mesmo sorriso profissional.

— O Presidente Cavalcanti é o meu chefe. Eu estou apenas cumprindo as minhas obrigações. Ele voltará muito em breve. Por isso, peço que o senhor também assine este acordo.

Ele bufou com escárnio.

— E se eu não assinar?

— Se o senhor se recusar, o Presidente Cavalcanti será forçado a agir dentro dos conformes legais. Nesse caso, a investigação sobre o envenenamento dos remédios da velha senhora voltará à tona.

O peito de Natan pesou, e seu rosto ficou ainda mais pálido.

— O que precisava ser dito já foi transmitido. Presidente Natan, o senhor é um homem inteligente. A escolha entre ter uma vida tranquila daqui para frente ou nunca mais ter paz só depende de você.

Natan Cavalcanti cravou os olhos no acordo de separação em cima da mesa. A beirada do papel tremulava levemente sob o vento do ar-condicionado, assim como o seu próprio estado de espírito naquele momento.

Ele fechou os olhos. Quando os abriu de novo, só restavam cinzas de uma resignação mortal.

No fim das contas, ele não teve outra escolha a não ser pegar a caneta e assinar.

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