Os cílios de Clara Rocha tremeram.
— E o que seria o bastante?
João Cavalcanti deu uma risada baixa, rouca e perigosamente sensual.
— Clara Rocha, você está fazendo isso de propósito?
Ela se fingiu de desentendida.
— De propósito como?
O polegar dele acariciou o canto dos lábios dela.
— Você sabe muito bem que está sendo uma tortura me segurar.
Clara Rocha ergueu os braços, laçando o pescoço dele. Aproximou os lábios do ouvido do homem e sussurrou:
— Ah... Então você está se segurando? E eu aqui pensando que você não dava mais conta...
Antes que ela pudesse terminar a frase, ele se inclinou e tomou a boca dela. Diferente dos beijos de provocação de antes, esse foi agressivo, dominante e invasivo. O beijo aprofundou-se brutalmente até que a respiração dela ficasse caótica e seus dedos apertassem com força o tecido da camisa dele.
Antes que ela recuperasse o fôlego, João Cavalcanti a ergueu nos braços e a levou direto para o quarto. A cama macia afundou com o peso dos dois. Ele cobriu o corpo dela com o seu, desabotoando a própria camisa com uma única mão, o tom da voz carregado de desafio:
— Eu não dou conta?
Clara Rocha engoliu em seco.
As cortinas automáticas se fecharam lentamente. O quarto logo foi tomado por um calor úmido, intenso como o auge do verão...
Tempo depois, ela não saberia dizer quanto, seus cabelos bagunçados estavam enrolados nos braços musculosos dele. O corpo pequeno de Clara parecia ter derretido nos braços do homem.
João Cavalcanti a abraçou por trás, completamente saciado, afundando o rosto no pescoço suado dela. Clara moveu os dedos levemente e, de repente, virou-se para encará-lo.
— Se você já sabia que o Ivan Domingos tinha mandado fotos do acampamento no grupo, por que não me ligou para perguntar?
João Cavalcanti ficou em silêncio por um momento. Quando respondeu, sua voz ainda estava rouca.
— Eu estava sentindo você.
— Sentindo a mim? — Ela franziu a testa, confusa.
Ele a olhou com uma expressão de marido abandonado.
— Sentindo o que você sentiu quando foi deixada de lado no passado.
Clara Rocha ficou chocada por um segundo. Logo depois, não conseguiu segurar a risada.
— E qual é o gosto? É bom?
— Terrível. — João Cavalcanti afagou os cabelos dela com uma delicadeza extrema. — Mas eu só posso aceitar ser o marido carente. Assim, quando você tiver tempo de lembrar de mim, quando precisar de mim, vai vir me agradar e me mimar como fez hoje.
Ele disse isso com a maior cara de pau, como se fizesse todo o sentido do mundo.
Clara Rocha não sabia nem o que responder.
Aquele era mesmo o João Cavalcanti frio e implacável que ela conhecia?
...
O cérebro era sempre mais lento que a boca.
Gustavo Gomes fez um som afirmativo.
— E daí?
— Ah, nada, só comentando mesmo. — Lilia ficou apavorada achando que soara muito desesperada e tentou se explicar: — Não tem nenhum significado oculto nisso, ok? Eu só estou dizendo que fui acampar com ela. Não vá pensar coisas estranhas!
— Só isso?
— Só isso! Bom trabalho!
Lilia Silva disparou porta afora, quase correndo pelo corredor.
Quando voltou para a sua mesa, relembrou a sua própria atitude patética e murchou em cima do teclado como um balão esvaziado.
Se fosse qualquer outro homem, ela já teria partido para o ataque há muito tempo.
Mas logo com o Gustavo Gomes...
Ela estava completamente sem reação...
...
Ao entardecer, Clara Rocha levou João Cavalcanti de volta ao Bosque das Ondas para jantar com seu pai e seu irmão. João já estava a par de praticamente tudo sobre o caso do Sr. Bruno Alves, mas eles evitaram se aprofundar demais no assunto durante a refeição.
Sérgio Alves pousou os talheres sobre a mesa e suspirou.
— A sentença do velho só vai sair no mês que vem. Sendo assim, receio que o noivado de vocês também terá que ser adiado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...