João Cavalcanti ergueu os olhos para ele, claramente surpreso.
— Ele não é um Alves?
— Eu não estava investigando aquela história da Dona Godoy ter tido um filho no exterior? Aproveitei e puxei todo o histórico médico dela. Queria confirmar a data da gravidez. Mas acabei descobrindo uma bomba de verdade. — Ivan desbloqueou o celular e o empurrou para João.
João pegou o aparelho. Era um dos primeiros exames médicos da Dona Godoy.
Ausência congênita de útero.
— Tá vendo? A Dona Godoy nunca pôde engravidar. Então, aquele filho não é dela, e muito menos da família Alves. Só não descobri ainda de onde essa criança veio. Mas a empregada que ajudou a forjar tudo com certeza sabe.
João Cavalcanti permaneceu em silêncio.
...
Winderson Alves passou horas esperando do lado de fora da UTI. Até que Sérgio e Giselle chegaram ao hospital, acompanhando o Sr. Bruno Alves.
— Pai? — Winderson deu um passo à frente.
O Sr. Bruno Alves parou no corredor. Com as duas mãos apoiadas no topo da bengala, ele encarava as portas fechadas da UTI. Seus olhos turvos não revelavam nenhuma emoção.
Giselle foi a primeira a perguntar:
— Winderson, como está o Brian?
Winderson balançou a cabeça.
— O médico disse que ele ainda não saiu de perigo. Segue em observação.
— O Fernando... — Giselle suspirou pesadamente. — A tia Godoy escondeu isso muito bem por todos esses anos.
Dona Godoy não enganou apenas os irmãos, ela conseguiu enganar o próprio Sr. Bruno Alves.
O velho já tinha suspeitado que Fernando estivesse tramando pela herança, igual a Brian e Patricia. Quando o caso entre Dona Godoy e Brian vazou, ele até cogitou a ideia absurda de que Fernando pudesse ser filho do Brian. Um filho virando neto...
Mas nunca imaginou que Fernando Alves não tivesse uma gota sequer do sangue da família Alves.
O Sr. Bruno bateu a bengala com força no chão de mármore, fazendo um som surdo ecoar pelo corredor.
— Obrigado.
— Somos irmãos, não precisa agradecer.
— O Isaque não é o único neto do velho. Ainda tem o Cristiano, não tem?
Cristiano era o filho que Winderson criava fora do casamento.
Como a mãe não tinha status oficial, a criança nunca havia pisado na casa dos Alves. Winderson protegeu muito bem os dois. Além do nome, seus próprios irmãos nem sabiam qual era o rosto do garoto.
Winderson sorriu levemente.
— O Cristiano não precisa de nada da família Alves. O que eu e a mãe dele podemos dar já é suficiente.
— Você deveria convencer o pai. Afinal, eles não podem viver para sempre nas sombras, sem o sobrenome.
O sorriso de Winderson desapareceu um pouco. Seu olhar passou por Sérgio e se fixou na janela do corredor. Lá fora, os plátanos de outono já haviam perdido a maior parte das folhas. Os galhos secos pareciam solitários sob o céu cinzento.
— Vamos resolver tudo isso primeiro. Depois a gente conversa. — A voz dele soou calma, mas carregava uma leve impotência. — A família Alves já passou por muita coisa. O velho não vai aguentar mais nenhum escândalo tão cedo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Apenas Clara
Affffff, cobram em dólar pra não continuidade?...
Não tem o restante?...