Quando Rhea estava prestes a obedecer, alguém bateu à sua porta.
Era Polly, trazendo um prato de frutas.
Ainda bem que Rhea tinha trancado a porta.
Ela rapidamente silenciou o celular e respondeu em direção à porta:
— Estou tentando dormir, mãe.
— Tudo bem, querida. Descanse um pouco — disse Polly.
Assim que Polly se afastou, Rhea voltou a ativar o som do aparelho.
No instante em que a tela se acendeu, um lampejo de repulsa cruzou seu rosto.
Ainda assim, sua voz saiu suave e doce:
— Você está mesmo tão impaciente assim, não é?
O rosto de William não aparecia na tela, mas Rhea conseguia imaginá-lo perfeitamente — os traços contorcidos entre prazer e desespero.
— Anda, amor, eu preciso de você. Preciso tanto de você — ele gemeu.
— Eu estou aqui. Bem aqui embaixo de você. Olhe para mim...
A ligação se estendeu por um bom tempo até que, finalmente, o quarto mergulhou em silêncio outra vez.
Ambos ofegavam, as respirações entrelaçadas pela linha.
William estava mergulhado em êxtase — exatamente o momento que Rhea aguardava.
Ela não havia esquecido o motivo daquela ligação.
Caso contrário, todo seu esforço teria sido em vão.
— Professor, minhas provas de pós-graduação estão chegando. Poderia me dar alguns conselhos? — ela pediu, num tom suave.
...
Na manhã seguinte, Kylie mal havia entrado no escritório quando Elmer apareceu.
Ele não se deu ao trabalho de cumprimentar:
— Quero receber meu dividendo trimestral adiantado.
Kylie parou no meio da leitura, os dedos repousando sobre o arquivo.
— Você quer antecipar o recebimento do dividendo?
— Sim. Tenho esse direito, não tenho? — ele rebateu, impaciente.
Kylie finalmente ergueu os olhos, a voz fria e controlada:
— Se conseguir a aprovação do conselho e o aval de todos os acionistas, pode sim.
Ela fechou o arquivo e bateu duas vezes com ele na mesa.
— Mas parece que você esquece que a Zenslie teve prejuízo durante anos. Só consegui reestruturar as dívidas da empresa depois que assumi. Mal há lucro líquido para distribuir. De onde você acha que esse dinheiro vai sair?
— Não venha com esse papo técnico. Só diga se vou receber ou não!
A resposta de Kylie foi curta e cortante:
— Não vai.
Elmer saiu batendo a porta. O estrondo ecoou pelo escritório.
Mona entrou com uma pilha de documentos bem a tempo de presenciar a cena. Franziu a testa:
— Ele tem o temperamento de um herdeiro mimado, mas sem nenhuma elegância. Será que vai pagar por essa porta?
Kylie assinou os papéis um a um e os devolveu:
Naquela manhã, Kylie acordou cedo e dirigiu até a Universidade Slegate.
Não pisava no campus havia quatro anos, e tudo parecia completamente diferente agora.
Tirou uma foto rápida na entrada e enviou para Skye, que estava em algum lugar remoto gravando um filme, pedindo que lhe desejasse sorte.
Skye respondeu na hora:
— Que coincidência! Estou interpretando uma deusa da sabedoria neste filme. Você está abençoada agora!
Kylie riu:
— Então vou aceitar toda sorte que você puder me dar.
— Amiga, vamos lá! Acredite em si mesma! Você era o braço direito da Vortex e ainda conseguiu se formar no topo da turma com bolsa integral!
— Não fiquei em último lugar uma vez? — provocou Kylie.
Skye respondeu com uma chuva de emojis revirando os olhos:
— Só porque você faltou à prova!
Era engraçado lembrar disso. Kylie tirou o primeiro lugar tantas vezes que ninguém mais se surpreendia.
Mas, naquela única vez em que ficou em último? O fórum da escola explodiu.
Depois disso, quando pensavam em Kylie, lembravam daquele post — e das palavras “última colocada”.
Até a própria Kylie brincava com isso às vezes, dizendo ser “a garota que ficou em último”.
Então Skye rebateu:
— Kylie, para de ser tão modesta!
Trocaram mais algumas mensagens antes de Kylie guardar o celular e seguir em direção aos portões do campus.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....