O nariz de Kylie ardia, e os olhos queimavam de calor. Ela pressionou o polegar com força contra o nó do dedo, como se isso pudesse conter as lágrimas. Mesmo assim, a voz dela ainda tremia.
“Eles não deveriam chegar a Slegate hoje à tarde? Nem foram ao hospital, e o paciente já foi escolhido?”
“Foi decisão do Dr. Ramos. Não sei os detalhes.”
Wendell era apenas um médico comum. Não havia muito que ele pudesse fazer.
Quando a ligação terminou, Kylie sentiu como se tivesse caído em um poço de gelo. A água fria se fechava por todos os lados, puxando-a para baixo.
“O que aconteceu?”, Zander perguntou, ao perceber o quanto ela estava pálida.
Por um momento, Kylie nem sabia por onde começar.
“Conheço bem o Dr. Ramos”, Zander disse. “Talvez eu consiga ajudar.”
As palavras dele foram como uma luz rompendo a escuridão, dando a ela um pequeno lampejo de esperança.
Naquela noite, Kylie não ficou no hospital. Ela contratou uma cuidadora.
Em parte, porque não queria que Delia percebesse o ferimento e se preocupasse.
E depois de tantos dias no hospital, ela precisava descansar em casa.
Zander a levou até a entrada do prédio. “Amanhã de manhã, dez horas. Te encontro no hospital”, ele disse.
“Certo.”
“Não se pressione tanto. As coisas dão um jeito de se resolver.”
Ele tinha visto claramente o estresse dela.
Kylie assentiu em silêncio.
Zander estendeu a mão e bagunçou de leve o cabelo dela. “Já está tarde. Vá para casa e descanse.”
Pouco antes de ela sair do carro, ele acrescentou: “E mantenha esse ferimento seco. Passe o remédio direitinho, ou vai ficar cicatriz.”
“Eu sei. Você também deveria ir para casa. E obrigada por hoje.”
A expressão tensa de Zander finalmente suavizou. “É raro ouvir isso de você.”
Sob a insistência dela, ele foi embora.
As palavras dele aliviaram um pouco o peso que pressionava o peito dela.
Não era muito, mas já bastava para ela conseguir respirar novamente.
O vento da noite cortava o casaco, afiado e frio.
Ela o apertou mais ao redor dos ombros enquanto caminhava. Mas sob o poste de luz à frente, um rosto familiar a fez parar no lugar.
Axel. Ele não deveria estar ali.
Kylie não fazia ideia do motivo de ele ter vindo.
E, sinceramente, ela não queria saber.
Ela apenas lançou um olhar rápido para ele antes de fechar as emoções e seguir em frente.
Mas Axel estava bem na entrada. Para chegar em casa, ela precisava passar por ele.
Kylie desejou que ele simplesmente fingisse não vê-la.
Ali, era apenas negligência.
Kylie ouviu cada palavra, mas por dentro não sentiu nada.
“Já terminou? Posso ir agora?”
Axel não esperava isso.
Por sete anos, ele tinha amado a paciência dela, a calma e o jeito de nunca disputar atenção, mas sempre provar que era capaz.
Ele achava que ela, como sempre, entenderia qualquer decisão que ele tomasse.
Que, se estivesse chateada, uma explicação dele bastaria para fazê-la acreditar de novo.
Mas não dessa vez.
Os olhos dela não tinham mais a suavidade que ele conhecia. Estavam frios como a noite ao redor.
A reação dela o encheu de uma frustração inquieta.
“Já disse o que precisava ser dito. Sei que está chateada, mas precisa saber seus limites. Não deixe isso ir longe demais.”
Então a voz dele voltou ao tom de comando.
“E não falte ao trabalho de novo. Isso acaba agora.”
“Entendo.” Kylie abaixou os olhos, escondendo as emoções ao responder.
Só então a testa dele relaxou. “Já está tarde. Vá descansar. Amanhã de manhã temos uma votação do conselho. Chegue cedo ao escritório para preparar tudo. As coisas ficaram uma bagunça enquanto você estava fora, e a assistente não deu conta.”
Kylie mordeu o impulso de dizer: se não tivesse me mantido aqui, eu já estaria em casa descansando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....