Mona sentiu um arrepio no coração.
Kylie não fazia ideia da decisão de Axel. Toda a atenção dela estava voltada para a equipe de especialistas.
Já estava quase na hora de terminar o expediente, mas o grupo ainda não tinha aparecido.
Kylie não teve escolha a não ser procurar Wendell e perguntar o que estava acontecendo.
Ele tinha acabado de sair de uma cirurgia. Pareceu surpreso ao ouvir a pergunta. “Você não sabia? O Dr. Ramos foi direto para o aeroporto buscar eles. Eles não vêm ao hospital hoje.”
Kylie percebeu algo a mais no rosto dele. “O Dr. Ramos foi sozinho?”
Wendell suspirou. “Claro que não. Ele me pediu para ir junto, mas eu tinha outra cirurgia e não pude sair.”
Kylie sabia o quanto esses recursos médicos de ponta eram raros e valiosos. As pessoas disputavam por eles. Ela não podia se dar ao luxo de relaxar.
Então perguntou rapidamente onde os especialistas estavam naquele momento.
Wendell checou com um colega que tinha ido com Vince Ramos, o diretor do hospital. Ele contou a Kylie que o grupo estava jantando no Hotel Ridgeview.
Assim que recebeu a resposta, Kylie correu para fora e pegou um táxi.
Mas era hora do rush em Slegate. O trânsito estava terrível.
Ela não parava de olhar o relógio no celular. O que deveria ser uma corrida de trinta minutos se estendeu para quarenta, depois cinquenta.
Kylie não aguentou mais ficar sentada. Pagou o motorista antes, desceu e encontrou uma bicicleta elétrica de aluguel ali perto.
Pedalou o mais rápido que pôde, se esgueirando por cada brecha no trânsito.
Depois de vinte minutos, finalmente viu a entrada iluminada do Hotel Ridgeview.
Mas ainda precisava atravessar um cruzamento movimentado para chegar lá.
Estava com tanta pressa que, ao desviar de um carro que vinha em sua direção, bateu no meio-fio.
A bicicleta perdeu o equilíbrio. Ela caiu com força, se chocando contra o asfalto.
A dor explodiu nos cotovelos e nos joelhos. Ardendo por causa dos arranhões.
Mas pelo menos eram só escoriações. Ela disse a si mesma que poderia ter sido pior.
O Bentley preto que ela quase atingiu encostou. Um homem desceu e foi direto até ela.
Kylie achou que levaria uma bronca. A culpa tinha sido dela, estava com pressa demais.
Ela nem tentou se levantar. Apenas disparou: “Me desculpa. A culpa foi toda minha. Não se preocupe comigo.”
A voz de um homem veio de cima, um pouco preocupada. “Você se machucou?”
Kylie ergueu o olhar.
Era um rosto familiar.
Zander.
Ele não esperava encontrar Kylie ali.
Zander se abaixou para ajudá-la a se levantar. “Onde você se machucou?”
“Não é nada. Foi só um arranhão.”
Kylie balançou a cabeça. Ainda tinha coisas para fazer. “Estou bem. É só um ferimento pequeno. Não preciso ir ao hospital.”
Ela teria aguentado se chegasse meia hora atrasada. Até vinte. Mas dez?
Só dez minutos, e ela teria visto eles.
A verdade cruel a deixou esgotada. Quando voltou para fora, Axel e Rhea já tinham ido embora.
Só Zander ainda estava esperando.
A voz dele era firme. “Agora vai ao hospital?”
Kylie não tinha mentido, era apenas um ferimento pequeno. Mas o corte parecia feio, especialmente no joelho.
Cada passo puxava a pele, ardendo e doendo.
“Vou te levar para casa”, Zander disse, depois de ajudá-la a limpar e enfaixar o machucado. Só relaxou quando terminou.
“Não. Ainda tenho coisas para fazer.”
Ela não estava pronta para desistir. Ainda não.
“O que pode ser tão importante?”, Zander insistiu, o tom ficando mais rígido.
Era assunto pessoal. Kylie não sentia necessidade de explicar. Estava prestes a dispensá-lo quando o celular tocou.
Era Wendell.
Ela atendeu rápido, com medo de perder qualquer coisa.
A voz dele veio carregada de arrependimento. Os especialistas já tinham escolhido o paciente. Ele disse para Kylie começar a fazer outros planos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....