Parecia exatamente como três anos atrás.
Naquela época, Kylie tinha ido com Axel em uma viagem para inspecionar um projeto imobiliário.
Uma briga tinha estourado entre os desenvolvedores e os moradores locais, e alguém começou a atirar coisas nele.
Sem pensar, Kylie se colocou na frente. Quando o agressor mirou de novo, dessa vez um ovo podre, ela deu um tapa no rosto do homem. Forte.
Aquele único tapa feroz virou manchete por dias e ainda fez as ações da Vortex dispararem.
Mas o homem que ela tinha protegido com todo o coração agora estava ali, segurando outra pessoa nos braços.
Crispin, aliviado ao ver que Axel não estava gravemente ferido, soltou um longo suspiro.
Os olhos de Rhea estavam arregalados, brilhando de lágrimas. “Você está com dor?”, ela perguntou, a voz trêmula.
“Só um arranhão. Estou bem. Não se preocupe.”
O tom de Axel suavizou, gentil, reconfortante.
“Você está sangrando”, Rhea fungou. “Como não está doendo?”
Ela soprou de leve no braço dele, como se isso pudesse melhorar alguma coisa. “Vou te levar ao hospital.”
“Não precisa.” Axel tentou dispensar.
Mas Rhea não aceitou. “Vamos sim. Por favor, me escuta, tá?”
Diante do olhar suplicante dela, ele finalmente assentiu.
Como o acidente tinha acontecido na AeroX, Crispin sabia que precisava assumir a responsabilidade. Ele rapidamente providenciou um carro e ajudou Axel a entrar pessoalmente.
Quando todos já estavam dentro, ele percebeu algo de repente. “Espera... Cadê a Sra. Rehbein? Ela não veio com a gente? Com toda aquela confusão, espero que ela não esteja ferida.”
Rhea respondeu com leveza: “Ela estava bem mais atrás. Está bem. Não é uma criança. Se tivesse se machucado, teria dito alguma coisa.”
Crispin franziu a testa. Ele realmente não tinha notado Kylie no meio do caos.
A voz de Axel cortou, fria e distante. “Deixe ela.”
Crispin entendeu o recado e mandou o motorista seguir para o hospital.
Kylie não estava longe. Ela ouviu cada palavra.
Deixe ela.
Apenas duas palavras. Sem emoção. Sem calor.
Ela olhou para o corte no braço, o sangue ainda escorrendo, e sorriu para si mesma. Amargamente.
Sete anos de amor, acabados. Sem significado.
Para ele, ela não passava da primeira bagagem que ele tinha deixado para trás na longa jornada adiante.
....
Naquela noite, Kylie voltou de avião para Slegate.
Antes de embarcar, enviou uma mensagem para Axel, avisando que estava voltando para casa.
Como esperado, ele não respondeu.
Talvez não tenha visto. Talvez estivesse ocupado demais.
Foi isso que ela disse a si mesma no avião.
Mas, quando aterrissou e ligou o celular, ainda não havia resposta.
Em vez disso, uma notificação apareceu... Axel tinha acabado de atualizar o Instagram.
O celular de Axel tinha descarregado, então ela o encontrou através desse amigo.
Desde então, Kylie manteve o contato de Elmer, mandando mensagem toda vez que Axel saía para beber com aquele grupo.
Ela implorava para que ele ficasse de olho, garantindo que ele não bebesse demais.
Elmer nunca respondeu. Nem uma vez.
Ela sabia o porquê.
Ele não achava que ela valia o esforço.
Nenhum dos amigos de Axel achava. Todos olhavam para ela de cima.
Antes, ela não se importava. Amor era entre duas pessoas.
Quem ligava para o que os outros pensavam?
Mas agora, vendo os comentários animados de Elmer sob a postagem de Axel, o peito dela doeu.
“Não acredito que vivi para ver o Axel exibindo a namorada no Instagram! Isso sim deve ser amor de verdade”
“Não é isso que é amor de verdade? Algo que você tem orgulho de mostrar? Se não mostra, não é amor.”
Se não mostra, não é amor...
Parecia que Kylie tinha aprendido essa lição tarde demais.
Sete longos anos amando um homem que nunca, nem uma vez, postou sobre ela.
Um relacionamento tão privado que parecia até imaginário.
Ela tinha amado como se aquilo fosse tudo... Mas, para ele, ela nunca sequer existiu em público.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Antes uma tola por amor, agora protagonista
Tem capítulos faltando, ex: 172 a 176....