Jéssica Nascimento segurava o doce nas mãos, hesitante, sem conseguir dizer uma palavra.
Ela queria muito falar para Guilherme Serra: não insista mais, não vale a pena.
Agora, criando Maria sozinha, ela levava uma vida plena e livre.
Não desejava que ninguém voltasse a interferir em sua rotina.
Nem mesmo o próprio pai biológico de Maria.
Além disso, as palavras de Jonas Serra ainda ecoavam em sua mente.
Talvez ela e Guilherme Serra fossem realmente incompatíveis, como se o destino insistisse em mantê-los afastados.
Mesmo que fosse para o bem de Guilherme, ela sentia que o correto seria afastá-lo de sua vida.
Por mais decidida que estivesse por dentro, Jéssica Nascimento simplesmente não conseguia encontrar forças para pedir que Guilherme fosse embora.
Nesse momento, ela viu Guilherme Serra pegar o pratinho de papinha e, com garfo e faca, servir um pouco de macarrão para Maria.
— Deixa que eu faço isso — disse Jéssica.
— Não precisa... pode comer seu café da manhã, eu alimento a Maria.
— Você...
— Fica tranquila, sei muito bem como dar comida para uma criança.
Enquanto falava, Guilherme Serra pegou a colherzinha e serviu um pouco de purê de espinafre.
Jéssica Nascimento pensou em alertá-lo de que Maria não gostava de legumes, especialmente espinafre.
Mas, para não incentivar a filha a ser exigente com comida, ela mesma costumava insistir, às vezes forçando Maria a engolir algumas colheradas. Nessas ocasiões, Maria protestava com raiva e até cuspia o purê.
Quando Jéssica já esperava que Guilherme Serra fosse receber um banho de purê, Maria, surpreendentemente, abriu bem a boca e comeu tudo de uma vez só.
— Maria está de parabéns, não faz manha para comer!
Guilherme Serra passou a mão carinhosamente na cabecinha de Maria.
— Ah...
Vendo que Maria abria a boca novamente, Guilherme Serra deu-lhe mais uma colherada de espinafre.
Jéssica Nascimento ficou espantada com a cena.
Nunca imaginou que seu filho de apenas um ano já sabia escolher para quem fazia birra na hora de comer.
Para Maria, Guilherme Serra ainda era praticamente um desconhecido.

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