Felipe Rocha inclinou a cabeça, sem conseguir entender por que um doce poderia ser considerado um tesouro.
No entanto, Jéssica Nascimento segurava aquele doce com tanta força.
Uma hora depois, Felipe Rocha saiu da casa de Jéssica Nascimento.
Do lado de fora do condomínio, folhas densas de bananeira foram afastadas e Guilherme Serra apareceu, espiando por entre elas.
Ao ver Felipe Rocha se afastando, ele soltou um leve suspiro de alívio.
Seu olhar percorreu a distância até a janela do apartamento de Jéssica Nascimento; o vidro, antes iluminado, escureceu subitamente.
Será que Jéssica Nascimento já estava dormindo?
Guilherme Serra manteve os olhos fixos na janela escura.
Dentro do quarto, Maria dormia profundamente.
Mas Jéssica Nascimento continuava acordada.
O berço ficava bem ao lado de sua cama; bastava esticar a mão para tocar Maria.
Normalmente, ela costumava cutucar de leve as bochechas redondinhas e macias de Maria.
Mas naquela noite, não o fez.
Em sua mão, apertava o doce—
O doce que Guilherme Serra lhe dera.
Mesmo sentindo a embalagem machucar a palma da mão, ela não afrouxou o aperto.
No escuro, sua voz soou baixa e amarga.
— Guilherme Serra, por que você insiste nisso?
Jéssica Nascimento fechou lentamente os olhos.
Quando acordou, foi com o choro de Maria.
Jéssica Nascimento pegou Maria no colo, beijando-lhe carinhosamente a testa.
— Ma... mãezinha...
Maria parou de chorar, esboçando um sorriso entre lágrimas.
Era uma criança fácil de acalmar; bastava um carinho e um beijo de Jéssica Nascimento para sentir-se segura e deixar de chorar.
— Está com fome, meu amor? Fique sentada na sua cadeirinha que a mamãe vai preparar seu café da manhã.
Depois de acomodar Maria, Jéssica Nascimento foi para a cozinha.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Tarde Demais