Cemitério Jardim da Saudade.
O tempo estava agradável naquele dia, com o céu claro e o ar fresco do outono.
Carlos parou o carro ao pé da colina.
Pensou que, hoje, Guilherme Serra provavelmente não desmaiaria outra vez diante da lápide, como na última vez em que tomou chuva ali.
Ainda assim, por precaução, Carlos quis acompanhar Guilherme Serra até o topo, seguindo-o de perto. Porém, foi impedido por Guilherme Serra.
Naturalmente, isso já estava dentro das expectativas de Carlos.
Guilherme Serra subiu sozinho os degraus da colina; a longa escadaria parecia não ter fim.
Caminhava devagar, como se seus pés arrastassem toneladas invisíveis.
Finalmente, chegou ao destino.
Era a lápide de Jéssica Nascimento.
Mas algo havia mudado: havia uma nova inscrição gravada —
Esposa de Guilherme Serra.
Guilherme Serra inclinou-se, estendeu a mão e, com a ponta dos dedos, tocou suavemente aquelas palavras.
— Amor, vim te ver.
Sua voz era baixa, suave e havia um leve tom rouco.
A lápide de Jéssica Nascimento fora recentemente restaurada. Além da nova gravação, acrescentaram um compartimento oculto na base, feito como uma pequena gaveta para lembranças.
Guilherme Serra puxou a gaveta, retirou de dentro um incenso e acendeu três varetas.
Em seguida, tirou do bolso interno do paletó um estojo aveludado de cor vermelha.
— Trouxe isto para você...
Abriu o estojo. Dentro, estava o anel de rubi desenhado pessoalmente por Jéssica Nascimento, uma peça exclusiva, não destinada à venda.
Ele sempre imaginou que entregaria o anel somente quando Jéssica Nascimento aceitasse reatar com ele.
— Pena que chegou tarde...
A amargura transparecia em suas palavras, enquanto ele fitava a pedra de rubi, tão vívida em meio à luz.
O tom vermelho intenso, raro, cintilava sob os raios do sol.
Mas, para Guilherme Serra, o rubi parecia sangue —
O sangue que escorria diretamente do seu coração.
Com lentidão, fechou o estojo e o colocou na gaveta sob a base da lápide.

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