Felizmente, Jéssica Nascimento estava de costas para Guilherme Serra naquele momento, caso contrário, o espanto que transpareceu em seu rosto teria denunciado a mentira de Cesar Batista.
Jéssica Nascimento até conseguia entender por que Cesar Batista enganara Guilherme Serra.
Ela acreditava que Cesar Batista fizera aquilo para ajudá-la.
Embora não descartasse que ele tivesse alguma intenção própria, o maior objetivo era livrá-la do incômodo de Guilherme Serra, fazendo com que ele desistisse.
O silêncio tomou conta do quarto.
Jéssica Nascimento permaneceu calada por um longo tempo.
Durante esse intervalo, Guilherme Serra só conseguia escutar as batidas do próprio coração.
Tum, tum...
Estava tenso.
— Sim, estou pensando — respondeu Jéssica Nascimento, também mentindo.
Depois de falar, ela não se virou para ver a expressão de Guilherme Serra, apenas saiu do quarto.
Quando voltou, trazia uma tigela nas mãos.
Guilherme Serra nem precisou perguntar o que havia na tigela.
O aroma forte de ervas já dizia tudo.
Ele pegou a tigela fumegante das mãos dela, e viu seu próprio rosto refletido no caldo escuro.
Não sabia se era o cheiro amargo ou o vapor quente, mas Jéssica Nascimento notou que os olhos de Guilherme Serra estavam úmidos.
Com certeza não era emoção por ela ter preparado o remédio com as próprias mãos, pensou Jéssica Nascimento, achando graça da própria imaginação.
O Guilherme Serra que ela conhecia desde criança nunca fora alguém tão sentimental.
Quando viu Guilherme Serra virar a tigela de uma vez, ela se apressou a adverti-lo:
— Cuidado, está quente!
Mas foi tarde demais. Guilherme Serra queimou a língua e imediatamente fez uma careta, mostrando a língua.
O quarto então se encheu do riso leve de Jéssica Nascimento. Guilherme Serra lançou-lhe um olhar carregado de ressentimento.
— Antes, o remédio que você me dava nunca estava tão quente assim...

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