— Para qual hospital você quer ir?
No momento em que ligou o carro, Jéssica Nascimento perguntou em voz baixa.
— Eu não quero... ir ao hospital...
Jéssica Nascimento lançou um olhar para o banco de trás, onde Guilherme Serra estava deitado.
— Seu estômago está doendo tanto assim e mesmo assim você não quer ir ao hospital?
— Não quero...
— Por quê?
Jéssica Nascimento aguardou bastante tempo após fazer essa pergunta, até finalmente ouvir a resposta de Guilherme Serra:
— Porque... você vai embora.
— O quê?
Jéssica Nascimento demorou para entender o que Guilherme Serra queria dizer.
No banco de trás, Guilherme Serra, com seu corpo alto encolhido, não parecia ter alívio algum da dor de estômago.
Jéssica Nascimento dirigia, mas olhava para Guilherme Serra pelo retrovisor, sentindo uma irritação inexplicável crescer em seu peito.
— Você precisa ir ao hospital, não tem jeito. Se você não escolhe, eu escolho.
— Não...
Guilherme Serra protestou novamente, ainda que sua voz fosse fraca.
— Eu não quero ir ao hospital... Toda vez que eu vou... você vai embora... Eu não quero outra pessoa...
No final, a voz de Guilherme Serra soava quase como um delírio.
Como único herdeiro da família Serra, ao ser internado, muitos viriam visitá-lo.
Mesmo se Jéssica Nascimento não fosse embora, dificilmente conseguiriam ficar a sós.
— Eu quero... ir para casa... Me leva para casa...
— Eu não sou o Carlos, nem sou seu subordinado, então não vou obedecer você.
Antes que sua consciência se apagasse completamente, Guilherme Serra ainda ouviu vagamente as palavras de Jéssica Nascimento.
...
Guilherme Serra pensou que, ao acordar, sentiria o cheiro forte de desinfetante.
O cheiro típico de hospital.
Imaginou que veria cortinas e lençóis brancos.
Ouviria o som dos monitores e do soro pingando.
No entanto...
O que ele ouviu primeiro foi o som de um piano.

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