Se alguém algum dia realmente a protegeu, quando ainda era Júlia Navarro, esse alguém foi sua avó.
No entanto, o destino foi cruel: justamente a avó partiu antes de todos.
Jéssica Nascimento fitava a foto antiga ao lado da avó. Aos poucos, os olhos se enchiam d’água.
De repente, o silêncio do escritório foi interrompido pelo aviso do WhatsApp.
Jéssica pegou o celular mecanicamente. Ao abrir o aplicativo, seus dedos ficaram paralisados.
“Será que ainda podemos ser amigas?”
A mensagem era de Lívia Gomes.
O coração de Jéssica, já inquieto, tornou-se ainda mais tumultuado.
Ela virou o celular sobre a mesa, sem responder.
Não fazia ideia de como responder.
A noite caiu sem alarde.
— Jéssica, terminou o trabalho? Conheço um restaurante exótico maravilhoso, vamos jantar juntos!
Cesar Batista abriu a porta do escritório de Jéssica.
— Não, obrigada... Não estou com apetite. Prefiro ir pra casa e preparar um macarrão...
Jéssica disfarçou um sorriso forçado para Cesar.
O instinto de Cesar dizia que algo estava errado com Jéssica, mas ela não queria comentar.
Jéssica só queria ficar sozinha, em silêncio.
Cesar hesitou, abriu e fechou a boca diversas vezes, mas se conteve.
— Está bem. Fica pra próxima, então... Dirija com cuidado. Quando chegar em casa, me manda uma mensagem, tá?
O cuidado de Cesar fez Jéssica sorrir, quase rindo.
Ela não era mais uma criança.
Mas sabia que era assim que Cesar expressava carinho.
Cesar era realmente gentil e atencioso — diferente de Guilherme Serra.
Quando o sol finalmente se escondeu sob o horizonte, Jéssica saiu do Grupo Serra.
Mas não foi para casa. Pegou o carro e foi até um bar.
Jéssica raramente frequentava bares.

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