Entrar Via

Amor Tarde Demais romance Capítulo 472

Todos se assustaram de repente, quando ouviram Guilherme Serra mudar de ideia:

— Não, tirem todos esses contêineres daqui, rápido!

A tempestade só aumentava.

O céu ficava cada vez mais escuro.

Parecia que o próximo amanhecer jamais chegaria.

Jéssica Nascimento já teve muito medo do escuro.

Também temia o som de portas sendo fechadas.

Um pouco mais forte e o barulho já era suficiente para fazê-la tremer dos pés à cabeça.

Aos 13 anos, carregando a acusação de “lesão corporal”, ela foi enviada, sem qualquer processo judicial, para a instituição de menores infratores da Cidade A.

Menos de uma semana depois de entrar lá, Jéssica foi trancada na solitária por ter respondido um instrutor.

A solitária era completamente diferente das demais salas de aula, nem mesmo ficava no prédio principal.

Até hoje, Jéssica Nascimento se lembrava: a solitária em que ficou era triangular.

Só havia uma abertura para ventilação — tão pequena que ela mal conseguia passar a mão.

Uma lâmpada fraca, que nunca acendia.

As paredes estavam cheias de tinta descascada e manchas de mofo, além de marcas que ela não sabia se eram restos de vômito ou dejetos.

Não havia lugar para descansar ali dentro, nem cama, nem banco.

Somente um balde de plástico servia de banheiro.

No auge do inverno, sem aquecimento, Jéssica Nascimento ficou com mãos e pés congelados, encolhida feito um feto.

Mas o frio não era o pior.

Ficar muito tempo naquele ambiente escuro e apertado, sem ar circulando, ouvindo apenas as próprias batidas aceleradas do coração, fazia Jéssica Nascimento sentir náuseas e tontura diversas vezes.

Ela já não sabia distinguir dia e noite.

Naquele lugar, onde se perdia toda a noção de tempo e espaço, Jéssica Nascimento às vezes tinha a impressão de que—

Talvez já estivesse morta ali dentro.

Morta naquele caixão chamado solitária.

O fato de ainda pensar, talvez fosse porque havia virado um fantasma.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Tarde Demais