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Amor Tarde Demais romance Capítulo 471

As palavras de Carlos fizeram com que todos os operários, inclusive o chefe de obra, assentissem em concordância.

No meio da madrugada, sob uma tempestade de raios e trovões, quem, em sã consciência, gostaria de sair do conforto de sua cama quente para se molhar num canteiro de obras tão remoto, se não fosse por se tratar de Guilherme Serra e ainda com ordens vindas da chefia?

Guilherme Serra permaneceu em silêncio por um instante, sinalizando primeiro para que os seguranças, imóveis até então, fossem buscar capas de chuva para se protegerem.

Logo depois, ele empurrou o guarda-chuva à sua frente na direção de Carlos.

— Diretor Leandro?

— Não se preocupe comigo.

Guilherme Serra, já completamente encharcado, caminhou pelo canteiro de obras mais uma vez.

Seu rosto, frio como uma escultura de gelo, mantinha a mesma expressão de sempre.

No entanto, seu passo se tornava cada vez mais apressado, a ponto de Carlos não conseguir acompanhá-lo.

Carlos percebia claramente a ansiedade e a urgência que cresciam dentro de Guilherme Serra...

E também o medo.

Carlos estava igualmente aflito.

Fazendo as contas, Jéssica Nascimento estava desaparecida havia quase um dia inteiro.

Assim que souberam do sumiço de Jéssica Nascimento, Cesar Batista, Lívia Gomes, Pedro Teixeira e Natan Morais, pessoalmente ou através de suas equipes, buscaram por todos os lugares onde ela poderia estar.

As câmeras de segurança só registraram Jéssica Nascimento saindo de carro do Complexo Cultural; depois disso, por causa da tempestade, os equipamentos falharam. Seria necessário algum tempo para consertá-los, e não havia garantia de que as imagens seriam recuperadas.

A única pista concreta, de fato, era este canteiro de obras.

Mas a prioridade de Carlos era garantir a segurança de Guilherme Serra.

Ficar no canteiro, em meio à tempestade e altas horas da noite, certamente não era seguro.

— Diretor Leandro...

Carlos acompanhou Guilherme Serra até uma fileira de contêineres.

Ali, o caminho terminava em um beco sem saída.

Guilherme Serra já estava completamente ensopado e, preocupado, Carlos não hesitou em segurar o guarda-chuva acima da cabeça do diretor, mesmo que ele não quisesse.

— Diretor Leandro, o senhor precisa voltar. Se continuar assim, vai acabar pegando uma gripe.

Guilherme Serra também sabia que insistir ali não levaria a nada.

No meio da chuva pesada, mesmo com todas as luzes do canteiro acesas, a visibilidade era péssima.

Talvez...

Talvez fosse hora de desistir.

Carlos não insistiu mais.

Quando Guilherme Serra repetia algo duas vezes, não era apenas um pedido; era uma ordem absoluta.

Guilherme Serra estava prestes a se virar quando, de relance, notou algo em um canto do contêiner.

Ele parou de repente.

Carlos viu Guilherme Serra se abaixar, como se estivesse tentando pegar algo numa poça d’água junto ao contêiner.

Na primeira tentativa, não conseguiu.

O objeto estava preso, esmagado sob o peso do contêiner, deixando à mostra apenas uma pequena parte.

Guilherme Serra tentou mais uma vez. Por fim, puxou com força a parte visível e conseguiu soltá-lo.

Carlos se aproximou para ver. Guilherme Serra segurava, apertados na mão, um punhado de contas plásticas.

Ele passou a mão pelo rosto para enxugar a chuva e examinou melhor, percebendo que as contas estavam danificadas. Antes, deviam estar presas formando algum objeto.

Guilherme Serra mantinha o olhar fixo nas contas em sua palma, os olhos se arregalando a cada segundo.

— Abram estes contêineres!

O grito de Guilherme Serra, desesperado, ecoou em meio à tempestade.

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