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Amor Tarde Demais romance Capítulo 397

Guilherme Serra despertou e percebeu que estava deitado em um leito de hospital.

Sua memória apresentava claros lapsos, e, por mais que tentasse, não conseguia recordar o que havia acontecido.

Como teria ido parar ali?

Guilherme Serra não fazia ideia.

Simplesmente não se lembrava.

Sua última lembrança era da noite anterior, quando dirigia atrás de Jéssica Nascimento, seguindo-a discretamente até vê-la entrar no carro de Cesar Batista.

Uma dor forte no estômago o obrigou a debruçar-se sobre o volante.

Se desmaiou de dor ou simplesmente adormeceu, ele não saberia dizer.

Passou a noite inteira dentro do carro, estacionado não muito longe da casa de Jéssica Nascimento.

Guilherme Serra abriu levemente os olhos.

A porta do quarto foi entreaberta com um leve toque, e uma enfermeira entrou.

— Com licença...

Quando Guilherme Serra tentou falar, percebeu como sua voz soava fraca.

— Quem me trouxe para o hospital?

A enfermeira inclinou a cabeça, como se pensasse a respeito, e só então respondeu:

— Também não sei... A pessoa disse que só estava passando por aqui, que não o conhece...

— Só estava passando...

Guilherme Serra franziu o cenho e perguntou novamente:

— Era homem ou mulher?

A enfermeira hesitou por um momento antes de responder:

— ...Era um homem.

A luz nos olhos de Guilherme Serra se apagou de repente, e sua expressão tornou-se ainda mais carregada.

— Entendi, obrigado...

Assim que a enfermeira saiu, Guilherme Serra fechou os olhos, sem conseguir identificar exatamente o que sentia.

Não demorou muito e a porta voltou a se abrir. Desta vez, quem entrou foi Carlos, acompanhado de alguns seguranças e funcionários.

— Como você soube que eu estava aqui?

Guilherme Serra perguntou, intrigado.

— O hospital me avisou.

Carlos respondeu, percebendo o desapontamento no rosto de Guilherme Serra.

— Carlos, preciso que investigue uma coisa para mim.

— Diga, Diretor Leandro.

— Aqueles delinquentes da última vez...

Guilherme Serra não chegou a terminar a frase.

— Entendi.

Essa era uma das qualidades de Carlos: nunca precisava que Guilherme dissesse tudo.

Depois que Carlos saiu, Guilherme Serra terminou toda a tigela do remédio, mesmo achando que estava mais amargo do que de costume.

Lá fora, a neve caía intensamente.

A segunda nevasca do ano era mais forte e intensa que a primeira.

Quando Jéssica Nascimento chegou de táxi na concessionária da BMW, avistou à distância Cesar Batista parado junto à entrada.

Cesar Batista vestia um longo sobretudo branco de lã; a neve cobria seus cabelos e ombros, fazendo-o parecer quase como um boneco de neve — alvo e macio.

Suas mãos estavam nos bolsos do casaco; ele mantinha a postura ereta, imóvel.

Jéssica Nascimento não pôde deixar de sorrir. Saiu rapidamente do carro e correu até Cesar Batista.

— Desculpa, desculpa, cheguei muito atrasada.

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