— Eu disse para ele... que você estava comigo.
Os olhares de José Paz e Jéssica Nascimento continuavam entrelaçados, como se nada mais existisse ao redor.
Ele achava que, depois de dizer aquilo, veria no rosto de Jéssica Nascimento alguma expressão de pânico, raiva ou até mesmo reprovação. Afinal, suas palavras haviam induzido Guilherme Serra a um mal-entendido a respeito dela. E Jéssica Nascimento... amava profundamente Guilherme Serra.
No entanto, a reação de Jéssica Nascimento foi surpreendentemente serena.
Essa tranquilidade pegou José Paz de surpresa.
— Sim, você não mentiu. — respondeu ela, com uma voz fria, tão gelada quanto a brisa do mar que entrava pela janela.
No momento, ela realmente estava com José Paz; ele não havia mentido ao dizer aquilo.
O corpo de Jéssica Nascimento ainda não tinha se recuperado. Apesar de estar consciente, permanecia fraca, o rosto pálido como papel.
Agora, diante dos olhos de José Paz, a expressão dela era de total desesperança, como se toda a esperança tivesse sido consumida.
— Jéssica Nascimento... — José Paz franziu a testa, sentindo um nó na garganta, preso entre engolir e cuspir.
— Pode fechar um pouco a janela para mim? — pediu ela, baixinho.
— Ah... claro, claro... — respondeu ele, prontamente.
José Paz havia aberto as janelas para arejar aquela casa de praia, que estava fechada havia tanto tempo, esperando que o ar fresco fizesse com que Jéssica Nascimento se sentisse menos sufocada, menos oprimida pela umidade e pelo mofo.
Mesmo coberta com o lençol, Jéssica Nascimento não sentia calor algum, apenas um frio persistente.
Quando esteve presa no galpão, quando ouviu Diego Carvalho dizer que Guilherme Serra havia escolhido Melissa Garcia ao invés dela, quando saltou no mar escuro e gelado sem saber se sobreviveria...
O medo e a dor ainda permaneciam em seu corpo. Por isso, por mais que se cobrisse, o frio nunca a deixava.
— José Paz, você realmente não se arrepende? — perguntou ela, de repente.
José Paz demorou um instante para entender.
— Você quer dizer... do quê?
— De ter fugido do casamento... — ela respondeu, olhando para ele.
José Paz ergueu as sobrancelhas, inconscientemente. As famílias Paz e Ferreira certamente possuíam interesses muito maiores do que ele podia imaginar. Por mais que não gostasse de Luna Ferreira, ele ainda assim havia aceitado seguir com o casamento, até o último dia.
Agora, tendo fugido, José Paz sabia que os problemas que enfrentaria não se resolveriam apenas se escondendo naquela casa de praia pelo resto da vida.

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