Guilherme Serra jamais imaginara que seu carro não conseguiria alcançar o de Jéssica Nascimento.
Tampouco pensara que Jéssica Nascimento teria uma habilidade ao volante tão impressionante.
Mas, no fundo, ele não queria ter visto Jéssica Nascimento dirigindo a uma velocidade daquelas.
Para ganhar tempo, durante o percurso, Jéssica Nascimento sequer reservou um hotel decente. Onde chegava, acomodava-se em alguma pousada de beira de estrada oferecida nos postos de serviço da rodovia.
Assim, quatro dias depois, Jéssica Nascimento chegou à fábrica onde havia feito o pedido e conseguiu retirar a pedra bruta.
A seleção da matéria-prima do jade era especialmente crucial, e Jéssica Nascimento não achava que essa viagem tivesse sido difícil. Afinal, já estava em seus planos acompanhar o caminhão de transporte até o local para escolher pessoalmente a pedra.
Com a pedra escolhida e pronta para o transporte, só havia espaço para ela no porta-malas do carro de Jéssica Nascimento.
A chuva continuava a cair, e o carro de Jéssica Nascimento, afinal, não era um veículo de transporte profissional. No meio do caminho, o painel de instrumentos alertou para uma falha mecânica.
Sem alternativa, Jéssica Nascimento precisou estacionar no acostamento da rodovia.
Não havia guarda-chuva no carro. Ao sair para verificar o problema, foi imediatamente encharcada pela chuva forte.
Com a chegada do outono, a cada chuva, o frio aumentava.
A água gelada caía sobre Jéssica Nascimento, fazendo sua pele se arrepiar inteira.
Agora, seus cabelos e roupas estavam completamente encharcados. A água escorria pela testa, turvando sua visão.
Com as ferramentas limitadas do carro, pôde fazer apenas um reparo simples.
Jéssica Nascimento já havia dado o melhor de si, mas não conseguiu fazer o carro funcionar novamente.
Mesmo que acionasse o serviço de reboque, o que faria com a pedra preciosa no carro?
O céu já escurecia, e Jéssica Nascimento, sozinha no acostamento, olhava os carros passando em fluxo constante. A sensação de desamparo a sufocava, como se um mar de angústia lhe invadisse a boca e o nariz.
Foi então que um farol piscou em sua direção.
O pisca-alerta alternava entre luz alta e baixa, como se deliberadamente quisesse chamar sua atenção.
Jéssica Nascimento semicerrava os olhos; viu que o carro reduziu a velocidade e também parou no acostamento.
Apesar do temporal, aquele carro continuava chamando atenção.
Quando Jéssica Nascimento percebeu que o veículo diante dela era o Bentley azul-imperial de Guilherme Serra, seu coração disparou.
Guilherme Serra desceu do carro, segurando um guarda-chuva preto.
A chuva tamborilava forte sobre o guarda-chuva.
Jéssica Nascimento sabia que o homem diante dela não era uma ilusão.

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