Disseram que iriam procurar as câmeras de segurança da loja, mas hoje de manhã disseram para ela que as gravações haviam sumido.
Quem acreditaria nisso!
"De qualquer forma, hoje à noite eu não tenho tempo."
"Não tem tempo? Vai fazer o quê?" Elisa sentou-se ao lado dela, com os olhos grandes fixos no celular que a mãe segurava nas mãos.
Desde antes ela estava com o aparelho.
Zenaide virou o celular e o pressionou contra as pernas.
Elisa estava muito ansiosa por dentro. "O irmão mais velho já reservou o salão privado, papai, a Irmã, todos vão estar lá, e se você não for, a cunhada vai…"
"Cunhada? Você fala isso tão naturalmente!" Zenaide se irritou.
"Tá bom, não falo mais." Elisa se rendeu, mas logo depois sussurrou: "E se você acabar separando o irmão dessa relação, e ele ficar tão desiludido que acabe realmente casando com o Irmão Quinton, o que a gente faz?"
"...!!"
A pressão de Zenaide subiu na hora.
Antes de levar uma bronca da mãe, Elisa decidiu fugir rapidamente.
Heloísa foi ao escritório do presidente por volta das cinco, para entregar uns documentos.
Aproveitou para perguntar onde seria o jantar daquela noite.
Nélio respondeu com naturalidade: "Sabores da Beira."
Heloísa apenas assentiu, colocou os documentos sobre a mesa e, ao sair, mandou uma mensagem para Sheila.
Sheila viu a mensagem.
Não era um hotel, mas até melhor: um lugar mais fácil de criar um encontro "por acaso".
Ela ligou para Heloísa: "Você acredita nisso? Justamente lá. Eu nem ia, mas já que você vai, vou também, só para animar. Depois te ligo."
Heloísa: "Ah, tudo bem."
Que coincidência era essa?
Desligou o telefone, voltou para o escritório e pegou outro vestido — simples e elegante, perfeito para um jantar de negócios — do armário ao lado dos arquivos e trocou de roupa.
Zenaide também finalmente recebeu a notícia.
"Sabores da Beira...!"
Pouco antes, Bárbara havia comentado que Nélio tinha reservado um salão no Sabores da Beira.
Pouco depois, já quase na hora de sair, Elisa apareceu novamente com uma carinha triste, ainda sem ter cumprido sua missão: "Mamãe..."
Ao ouvir a conversa, ele parou por um instante, levantou um pouco as pálpebras e olhou para a frente, pensativo.
Heloísa achou que ele fosse dizer alguma coisa.
Mas ele não disse nada.
Ela olhou pelo retrovisor e percebeu que ele continuava olhando para o tablet — desde que entrou no carro, não tirou os olhos dali.
O que será que ele estava vendo?
Logo, chegaram perto do restaurante.
Ao descer, Heloísa ouviu Helder perguntar a Nélio: "O Corvo Cinza disse que conseguiria consertar até, no máximo, cinco horas. Ele te entregou?"
Nélio: "Sim, entregou."
Heloísa só ouviu dois "entregou".
Depois que desceram, ela também ficou curiosa e perguntou: "O que foi entregue?"
Nélio a encarou por alguns segundos, deu uma risadinha baixa e colocou uma mecha do cabelo dela atrás da orelha. "Nada demais, só pegamos um covardezinho. Vamos entrar."
Heloísa: "...?"
Por que ele estava rindo daquele jeito??

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