Esta noite...
Heloísa lembrou que havia aceitado o convite de Sheila para jantar juntas naquela noite.
Mas agora era trabalho.
"Como assim? Você tem compromisso esta noite?"
Após mais de dois segundos sem resposta, a voz de Nélio voltou a soar.
Heloísa respondeu com sinceridade: "Na verdade, a Sheila tinha me chamado para jantar, mas não tem problema, vou ligar pra ela e remarcar para amanhã."
Nélio disse: "Tudo bem, resolva isso. Vamos sair por volta das seis."
A voz dele era firme, transmitindo uma certa autoridade.
Assim que desligou, Heloísa ligou imediatamente para Sheila. "Desculpa, Sheila, apareceu trabalho hoje à noite, vou ter que acompanhar o presidente em um jantar de negócios. Vamos remarcar para amanhã? Amanhã eu te convido, você escolhe o lugar."
Sheila demonstrou certa decepção: "Poxa..."
Ela ficou em silêncio por alguns instantes, parecia pensar em algo, então respondeu com um sorriso na voz: "Tudo bem. Ah, e pra onde você vai hoje à noite?"
"Nem sei, ele não falou."
Heloísa respondeu.
Achou estranho o interesse de Sheila naquele detalhe.
Por que tanta curiosidade sobre o compromisso dela?
Sheila disse: "Depois você pergunta, de repente é até o convite que recusei à tarde. Ultimamente ando fugindo desses bailes e jantares, mas se for você, já começo a pensar em ir só pra animar a noite."
"Entendi." Heloísa compreendeu. "Vou perguntar e te aviso."
"Ok, fico esperando sua mensagem."
As duas desligaram.
Sheila aguardava a mensagem com o local do jantar.
Zenaide também esperava Sheila passar o endereço do encontro.
"Mãe, a senhora não vai mesmo? O mano vai ficar bravo," Elisa quase chorava ao lado.
De um lado, a missão dada pelo irmão, do outro, a teimosia da mãe.
"Não vou, não vou," Zenaide disse, acenando com a mão. "Quem é essa Heloísa pra eu ir atrás dela? Se ela não vem me ver, vou eu atrás?"
"Mamãe, não é questão de ir atrás, é um encontro entre as duas. E fora de casa é melhor, se não gostar pode ir embora a hora que quiser. Em casa, se não gostar, vai pôr a pessoa pra fora?" Elisa tentava agradar a mãe de todo jeito.
O importante era convencê-la a ir.
Na verdade, Zenaide não era totalmente contra. Ela já tinha informações sobre a moça do vestido verde, mas não pretendia contar isso.
Depois desses dias, ela percebera tudo: a menina fingia ajudá-la a encontrar a jovem, mas na verdade seguia as ordens do irmão e sabotava seus planos.

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