Heloísa soltou uma risada fria.
"A mãe dele nunca gostou de mim. O que ela quer é uma moça de família rica, ou seja, no fundo, ela espera mesmo é um casamento entre iguais. Supondo que minha suspeita esteja certa, que ela saiba que aquela pessoa era eu, você acha mesmo que ela ficaria feliz em me aceitar? Não seja ingênua, só vai deixá-la ainda mais incomodada. Se brincar, vai pensar que sou calculista e que fiquei esperando de propósito na porta do salão, sabendo que ela viria ao baile, só para provocar um encontro casual."
"…Ah, Heloísa, você não consegue pensar de forma mais positiva?" Thalita achou que ela estava sendo pessimista demais. "Vai que, se for verdade mesmo, talvez ela mude de ideia e pare de impedir você e o Chefe Nélio."
"Os preconceitos no coração das pessoas são como uma montanha. Se fosse tão fácil mudar de ideia, a Pérola Martins já teria me aceitado faz tempo." O olhar de Heloísa era frio e distante.
Thalita ficou sem palavras.
É verdade. Heloísa casou-se com Jandir, dedicou-se totalmente à Família Rodrigues e à Empresa SH, equilibrando tudo entre família e trabalho. Como nora, era irrepreensível. Mas Pérola nunca mudou de opinião. Não importava quanto carinho Heloísa demonstrasse, aos olhos dela, Heloísa continuava sendo aquela moça de origem simples.
A Família Marques tinha um status ainda mais elevado, então não era de se estranhar o que Heloísa pensava.
Heloísa sorriu, tranquila. "Enfim, isso é só uma suspeita minha. Talvez eu esteja imaginando demais."
Thalita: "Mas… e se você não estiver imaginando demais? Se realmente acabar sobrando pra você?"
"Então eu encaro," Heloísa deu de ombros, sem se importar. "Mas com certeza não vou tomar a iniciativa."
Se por acaso sua suspeita fosse verdadeira e ela tomasse a iniciativa, era quase certo que ganharia fama de interesseira.
Depois seria difícil explicar.
Thalita concordou com a cabeça, aprovando a atitude dela. Sorriu: "Vamos parar de pensar nisso. Seja ou não, é melhor fingirmos que não sabemos de nada."
Dizendo isso, ela ligou o carro.
Ao sair, Zenaide e os outros também estavam descendo.
Na curva, Heloísa olhou pelo retrovisor e os viu. Desta vez, prestou mais atenção: aquela senhora era realmente a mesma da outra vez, e os jovens ao lado dela, que antes não notara, agora pôde ver claramente… Aquela moça alta, com olhos amendoados, era muito parecida com Nélio…
Ai, não adianta esperar que ele seja carinhoso.
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Thalita deixou Heloísa no apartamento primeiro.
Aproveitou para pegar a bolsa que tinha trazido de Londres.
Antes de sair, lembrou-se de Clarice. "Ah, e essa Clarice, hein? Está fugida há dias, parece que sumiu do mapa. Anteontem fui até Cidade L, como advogada da acusação, para conversar com a polícia. Não falaram muito, só disseram que estão atrás dela."
"Pensa bem, com o temperamento dela, se estivesse em Cidade Y, não teria aguentado tanto tempo sem procurar você, nem o Jandir ou a mãe dele. Por isso que o Chefe Nélio é esperto mesmo. Essa Natália não vai deixar a Clarice sair assim tão fácil. Me diz, afinal, o que esse monstro quer que a Clarice faça?"
Heloísa ficou pensativa.

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