"Você disse que essa pessoa não era a Clarice, mas que parecia familiar. Será que vocês já se viram em algum lugar, só de passagem?"
"Pensei nisso por vários dias, considerei todas as possibilidades, mas não me lembro dessa pessoa."
"Tudo bem então."
Thalita suspirou, pegou os hashis para pegar um pedaço de carne e, ao olhar para a grelha, exclamou: "...Cadê a carne?!"
...
Depois de comerem, saíram do restaurante.
Naquele momento, estavam no último andar do shopping, descendo para dar uma volta e ajudar na digestão.
Heloísa e Thalita passeavam de braços dados, tranquilamente.
Ao passarem por uma joalheria de luxo, Thalita quis entrar para dar uma olhada. "O aniversário da minha mãe está chegando. Quero comprar uma pulseira para ela."
"Então vamos olhar."
Heloísa a acompanhou para escolher o presente.
Enquanto analisavam os modelos no balcão, houve certo alvoroço entre as funcionárias da loja, todas se dirigindo para um lado.
Naquele instante, três pessoas entraram na joalheria.
Zenaide, a filha caçula Elisa e o relutante Alfonso, que foi praticamente arrastado até ali. Elisa havia encomendado um conjunto de joias e veio buscá-lo, aproveitando para trazer a mãe, que raramente saía de casa, e o irmão.
"Senhorita Elisa, por favor, por aqui."
A atendente as recebeu calorosamente.
Outra funcionária já preparava a sala VIP.
Mais uma foi providenciar chá e frutas para receber devidamente as duas grandes clientes.
Embora, até então, só a Senhorita Elisa tivesse encomendado um conjunto de joias, a senhora distinta ao seu lado certamente era a Senhora Marques. E todos sabiam o quanto a Família Marques era abastada.
O trio seguiu para o interior da loja.
Heloísa e Thalita continuavam concentradas na escolha.
Elas nem prestaram atenção à movimentação na loja.
Heloísa estava de pé, vestindo um tailleur preto. O cabelo, antes preso, soltara-se durante o churrasco e ficara com cheiro de fumaça, então ela o deixara solto e aplicara um pouco de perfume para disfarçar.
Mesmo assim, sua silhueta elegante e a pele alva chamavam atenção.
A Família Marques seguia para dentro.
Zenaide olhou discretamente na direção de Heloísa e Thalita.
Seguindo o olhar da mãe, Elisa também observou e cochichou: "Mãe, mulheres magras e de pele clara tem aos montes. Procurar alguém só por essas características não vai funcionar."
Zenaide deu um leve tapa na filha. "Fale baixo, não é educado comentar sobre os outros."
Mesmo dizendo isso, seus olhos continuaram fixos em Heloísa.
De repente, sentiu vontade de ver o rosto da jovem.
Heloísa percebeu que estava sendo observada e, instintivamente, virou-se.
"Senhora, por aqui."
Um atendente surgiu, bloqueando a visão de Zenaide.
Zenaide respondeu: "Ah, claro."
Ela desviou o olhar e entrou na sala VIP.
Daquele ângulo, Heloísa conseguiu ver o perfil de Zenaide. Achou o rosto familiar e então se lembrou. "Ah, é ela."
Thalita ainda estava escolhendo, mas se virou ao ouvir a amiga. "Quem?"
Heloísa abaixou a voz. "Aquela senhora daquela noite, a que a Sra. Lima queria envolver no projeto, e depois fugiu junto com a gente pela janela."
Thalita lembrou-se na hora: "Ah, é ela!"
Olhou ao redor. "Onde está? Em que lugar?"
"Não olha, já entrou na sala VIP."
Zenaide ficou aborrecida.
Deu alguns passos para fora.
Elisa e Alfonso a seguiram.
"Mãe, você não vai mesmo procurar a moça, né?" perguntou Alfonso.
"Vou para casa."
Zenaide respondeu, sem esconder o mau humor.
No fundo, ela sabia que estava sendo impulsiva. Não podia simplesmente abordar alguém só porque achou que era parecida — especialmente quando era apenas uma impressão baseada no porte físico.
Naquele momento, Heloísa já estava levando Thalita para o elevador.
"O que houve, Heloísa? Você está estranha."
"Comi carne demais, estou passando mal. Não quero mais andar. Podemos escolher o presente da sua mãe outro dia."
Ao lado do carro, Thalita a virou de frente.
Conhecia bem a amiga. "O que foi? Aquela senhora te incomodou? Você conhece ela?"
E então lembrou: "Você conhece sim! É a mulher que você salvou, não foi o que você me contou?"
Heloísa apertou os lábios.
Não sabia como explicar.
Puxou Thalita para dentro do carro, trancou as portas e pensou um pouco antes de falar: "A mãe do Nélio também estava lá naquela noite. Ela também correu perigo e foi salva. Agora está procurando a pessoa que a salvou."
Thalita ficou boquiaberta.
"Não acredito! Você está achando que..."
Heloísa balançou a cabeça. "Não sei, só achei estranho. Duas senhoras, na mesma noite, passando por situações parecidas?"
Thalita sugeriu: "Então, por que você não pergunta para o Nélio? Ou talvez vá direto à casa dele."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Amor Que Aconteceu Por Acaso