O número era desconhecido.
No entanto, o tom da mensagem era inconfundivelmente familiar: Heloísa, você não pode ter esse filho, precisamos conversar, estou no apartamento, esperando você voltar, vou descer para te encontrar.
Que saco...!
Por dentro, Heloísa estava tão irritada que até sentia as têmporas latejando.
Era como se estivesse se protegendo de uma aparição da Samara saindo da televisão, mas, depois de tanto suspense, o que saía da TV era um idiota tentando assustá-la. Na hora, sentia raiva e, ao mesmo tempo, um profundo sentimento de impotência diante da idiotice alheia.
Calma, calma, não vale a pena se irritar com gente assim.
"Parece que isso é só um spam."
Ao lado, veio a voz tranquila de Nélio.
Heloísa, com extrema rapidez, apagou a mensagem. "É, só um spam bem chato. Me assustou por um instante."
Ela bloqueou o telefone e ainda tirou do modo silencioso, temendo que alguém resolvesse bombardear com mais mensagens ou ligações.
De repente, ela se lembrou do idiota dizendo que estava no apartamento.
"Então... que tal jantarmos fora hoje?"
Já estavam quase chegando perto do prédio.
Nélio lançou-lhe um olhar de leve indiferença, sem questionar muito. "Claro, onde você quer comer?"
Heloísa sugeriu um restaurante qualquer.
Nélio colocou no GPS e seguiu para lá.
Depois do jantar, Heloísa disse que queria dar uma volta por perto.
Passearam do restaurante até a praça, depois foram ao parque, assistiram às senhoras dançando samba de gafieira na quadra, viram a fonte luminosa que começava o espetáculo musical pontualmente às oito...
E ainda eram só nove horas...
"Vamos tentar a sorte em uma máquina surpresa?"
"Quer tomar um sorvete?"
"Deixa que eu pego um bichinho de pelúcia para você naquelas máquinas, qual você gosta?"
"Carrossel, para compensar sua infância."
"Já brincou com máquina de bolhas de sabão? Eu compro uma para você, aposto que nunca teve uma!"
...
Nélio acompanhava sua tentativa de ganhar tempo.
"Por que você está com medo de voltar?"
Nélio enfiou o bicho de pelúcia nas mãos dela.
Heloísa apertou o bichinho nos braços, pensando que era melhor não arrumar confusão. "Medo? Imagina, por que eu teria medo de voltar?"
"A tia veio te visitar?"
"Não, nada disso."
"Então foi o que...?"
"Não foi nada, só quis sair para jantar e passear com você, só isso. E você também se divertiu bem, não foi?"
Chegaram ao elevador e, como não havia "bomba", ela finalmente relaxou, sorrindo radiante enquanto apertava o botão do elevador.
No instante em que a porta se abriu...
Droga!
A "bomba" estava lá dentro.
Jandir Rodrigues, vestido com roupas de casa, braços cruzados, esperava por ela. Provavelmente já estava esperando a ex-mulher fazia tempo e ficou até sonolento, quando a porta abriu, ele estava com o rosto fechado, abrindo os olhos lentamente.
Ao ver os dois conversando e rindo, e ainda com brinquedos infantis nas mãos, ele ficou tão irritado que parecia prestes a ter uma hemorragia interna.

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