Heloísa fez exatamente como ele disse.
Ao olhar nos olhos dele, calmos e gentis, sentiu-se um pouco melhor.
"Fique aqui e não se mexa, vou tentar."
Nélio temia que ela se aproximasse da janela novamente. Aquela menina não estava muito lúcida no momento, mas era teimosa: se achasse que podia abrir, tentaria de qualquer jeito.
Heloísa assentiu com a cabeça.
Nélio foi até a janela, puxou a cortina e tentou empurrar.
Nem se mexeu.
Ele conferiu: "Está trancada."
Heloísa ficou desapontada.
Mas só por um segundo. Logo pensou em outra solução: "Quebre o vidro!"
Enquanto falava, sem esperar qualquer resposta de Nélio, virou-se para pegar uma cadeira.
Nélio levantou a mão: "Heloísa..."
Heloísa arrastou a cadeira, ofegante, e a entregou para ele: "Quebra!"
Nélio, vendo-a suada e determinada, não pôde deixar de sorrir. Levantou a mão para enxugar o suor dela: "Minha Heloísa é mesmo cheia de iniciativas, muito impressionante."
"......"
Heloísa ficou irritada.
Falar essas bobagens numa hora dessas!
Nélio percebeu que ela estava prestes a se exaltar novamente e apressou-se em acalmá-la com voz suave: "A ideia é boa, mas não viemos aqui para arranjar inimizades. Se exagerarmos, pode acabar dando errado."
Dando errado?
Heloísa ficou com essas palavras na cabeça.
Mas, naquele momento, estava irritada, confusa, com o pensamento lento, como se a mente estivesse enferrujada.
De repente...
Viu algo passando do lado de fora da janela, atrás dele.
"POC—"
Ouviu-se um baque surdo.
...!!
Ela ficou tão assustada que perdeu a fala, apontou para fora da janela, e seus joelhos fraquejaram.
Nélio, ágil, a segurou: "Não tenha medo, sente-se no sofá, vou dar uma olhada."
Heloísa agarrou-se à camisa dele, recusando-se a soltar.
"Está bem, vamos juntos. Não se assuste, não é nada."
Nélio a levou até a janela.
Como não conseguiam abrir, só puderam olhar através do vidro. Conseguiram ver vagamente o pé de uma mulher e a barra de um vestido de festa azul-claro.
Heloísa se lembrou vagamente: a esposa do empresário japonês estava usando um vestido azul-claro naquela noite.
Ela tinha batido à porta deles... agora teria caído do andar de cima?
Seu rosto ficou lívido.
Nélio cobriu os olhos dela: "Não olhe mais."
Alguns estavam radiantes, outros exibiam expressões apáticas ou hostis.
À medida que as portas se abriam, o ar se enchia de um cheiro indescritível, o que causava náusea.
...Parece que todos tinham sido afetados por algo.
O pior era que agora estavam todos reunidos novamente.
Os olhares dos homens sobre as mulheres estavam carregados de desejo, sem disfarce algum. As mulheres, por sua vez, ou estavam emocionalmente descontroladas, ou pareciam totalmente apáticas.
O ambiente era tomado por uma inquietação intensa.
Todos chegaram ao salão do segundo andar.
Ao redor, começaram a surgir sussurros.
"Vocês ouviram um barulho estranho agora há pouco?"
"Acho que sim, mas eu estava ocupado, não sei de onde veio."
"Eu, eu, eu vi."
"Eu também vi, era uma pessoa, vi uma mão."
...
Os murmúrios tornaram-se cada vez mais inquietos e temerosos.
O grupo de Nélio escutava em silêncio, sem dizer nada.
Heloísa estava com uma dor de cabeça forte.
Abaixou-se para massagear as têmporas e, ao levantar a cabeça novamente, fixou o olhar em uma direção do salão, sentindo calafrios tomarem conta de seu corpo.

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