Os lábios úmidos e macios desceram do contorno da cintura até a orelha dela.
Ele tinha muita força.
E estava tão entregue, como um lobo faminto; não importava o quanto ela gritasse para parar, as mãos grandes dele a acariciavam sem restrição, tentando tirar-lhe o vestido de gala...
"Nélio, fique lúcido agora mesmo!"
Aquilo não era normal.
Era muito anormal.
Nélio sempre fora um homem de grande autocontrole, mesmo tendo desejos, jamais perdia a razão, nunca parecia enfeitiçado daquele jeito.
Ela tentou impedir durante um bom tempo, mas não adiantou nada!
Insatisfeito por não ter comido nada, decidiu "comer por trás", virando-a de costas.
O vestido de Heloísa já era feito de pouquíssimo tecido e, naquele momento, não cobria mais nada; aos olhos do lobo faminto, ela era como uma sobremesa quente, macia e perfumada.
"...Eu juro que vou usar a força!"
Ela arranhou-o com as unhas.
O resultado... estava perdida... O lobo ficou ainda mais excitado, segurou seus pulsos e a prendeu, cobrindo-a de beijos.
Heloísa: ...?!!
Não, eu não estou te recompensando!!
Depois de um tempo de luta e investidas, quando ela quase se rendeu aos beijos dele, Nélio, de repente e sem aviso, recobrou a consciência.
Ele pegou o paletó do chão e cobriu o colo dela, afastando-se de cima dela.
Com a cabeça erguida, olhos fechados, encostou-se no sofá tentando controlar a respiração. As veias pulsavam na testa, no pescoço e nas costas das mãos, enquanto ele lutava para não se deixar dominar pelo impulso, o autocontrole sendo testado a cada segundo.
Heloísa vestiu o paletó e se afastou rapidamente.
A aura de perigo que ele emanava... Parecia que ele poderia devorá-la viva.
Ela cambaleou um pouco, parando a certa distância e perguntou, preocupada: "Você está bem, consegue—" Ao falar, seu olhar deslizou para baixo, pousando naquela barraca prestes a arrebentar o zíper. Seus belos olhos se estreitaram, e ela engoliu em seco, assustada: "...Se controlar?"
Ela ficou encarando por quase um minuto.
Quando levantou os olhos, deu de cara com o olhar dele, que a fitava com uma expressão complexa.
Olhos nos olhos.
Ela piscou, constrangida.
Heloísa por dentro: Malditos olhos, está olhando o quê?!
Nélio cruzou as pernas para disfarçar a parte que não desinchava, "...Vou tentar."
Ele fez pose de total seriedade, como se não tivesse sido aquele lobo faminto de antes.
Heloísa não se atreveu a sentar-se ao lado dele.
Foi até uma cadeira encostada na parede.
Quando pensou em se sentar, percebeu um quadro pendurado ali; a mulher na pintura olhava fixamente para ela, quase sorrindo... Ela desviou o olhar e arrastou a cadeira para o centro do quarto, sentando-se ali.
O tempo passou em silêncio.
Deixa ela.
De repente, Heloísa se levantou e foi até a janela.
Nélio levantou-se e a segurou pelo braço: "Vai fazer o quê?"
"Abrir a janela pra ventilar, tem alguma coisa nesse ar!"
"Você acha mesmo que, se tem algo aqui, ela vai te deixar abrir a janela?"
"...Vou tentar! Como vou saber se não tentar?"
Heloísa estava irritada.
Nélio acariciou-lhe as costas: "Pronto, pronto, não fique nervosa."
"Não estou nervosa!! Por que eu ficaria nervosa?!"
Dizendo isso, ela lhe deu um chute.
"......"
"......"
Heloísa ficou alguns segundos confusa, como se despertasse de um sonho.
Por que ela o chutou?
Nélio, sentindo dor, franziu as sobrancelhas e a acalmou: "Está tudo bem, respire fundo, não deixe que as emoções dominem sua razão."

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