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Amor Que Aconteceu Por Acaso romance Capítulo 443

Eles também tiveram muita coragem.

Belinda esperou até que todos os convidados estivessem sentados para, então, ocupar o assento principal ao centro. "Preparei com muito cuidado algumas iguarias típicas da ilha para todos. Espero que gostem."

Ela instruiu o mordomo, que aguardava ao lado, a começar a servir os pratos.

Logo, uma a uma, as sofisticadas "delícias" foram sendo colocadas diante dos convidados.

No entanto, ao ver o primeiro prato, um convidado quase vomitou.

Heloísa pensou que fosse um creme espesso, mas logo percebeu que estava enganada: era consistente demais. Observando com mais atenção, percebeu que se tratava de miolos!

De cor branca leitosa, amassados, parecendo massa encefálica...

A expressão de todos se contorceu imediatamente.

Logo em seguida, chegou o segundo prato: a famosa especialidade do País I, "Observando as Estrelas"—vários peixes assados com as cabeças voltadas para cima, aqueles olhos vítreos parecendo encarar o comensal...

Eca... urgh...

Os convidados estavam com expressão de sofrimento.

Mal haviam se recuperado do susto com o prato de miolos e o torta de cabeças de peixe, chegou o terceiro prato.

Bife malpassado, praticamente cru, o suco—ou melhor, a mioglobina—escorria pelo prato, formando uma poça. Até Helder, normalmente um amante de carnes, não conseguiu encarar.

Cada prato era mais assustador que o anterior, impossível de comer.

Num antigo casarão sombrio, com uma anfitriã enigmática e esses pratos dignos de um filme de terror... os convidados se entreolhavam, sentindo vontade de fugir, mas sem coragem.

Participar do jantar e não comer nada parecia falta de educação, mas comer... como seria possível?

Por fim, todos preferiram arriscar a torta de cabeça de peixe.

Cada um se esforçou para comer um pouco, apenas o suficiente para parecer educado. Usavam faca e garfo para cortar pedaços minúsculos—alguns do tamanho de um grão de feijão—e levavam à boca, outros apenas fingiam enquanto conversavam com quem estava ao lado.

"A comida não agradou ao paladar dos senhores?"

Belinda indagou a todos.

O silêncio tomou conta da mesa.

"Não, está ótima."

"Costumo jantar pouco."

O vinho era muito mais fácil de engolir do que os pratos.

Todos ergueram as taças e beberam com entusiasmo.

Depois do brinde, mais pratos foram servidos.

Exceto pelo Chefe Nélio, que disse com naturalidade que estava em jejum e não se preocupou em desagradar a anfitriã, os demais fingiam comer, mas na verdade quase nada tocavam.

Heloísa, ao limpar a boca, discretamente cuspia no guardanapo.

Por outro lado, os dois convidados do País I eram bem mais corajosos: comiam a torta de cabeça de peixe com prazer, enquanto Luan chegou a vomitar várias vezes, como uma grávida.

Helder sussurrou para Heloísa: "Irmã Heloísa, a sobremesa é boa, depois coma um pouco mais, senão vai passar fome à noite."

Ainda haveria sobremesa?

Heloísa olhou para ele.

Logo entendeu—ah, claro, ele tinha ido à cozinha, certamente viu antes.

De fato, após a sequência de pratos assustadores, finalmente serviram a sobremesa. De longe, já dava para sentir o aroma tentador de leite condensado.

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