"Não, realmente ficou muito bonito."
Vance se aproximou de Nélio, admirando sua beleza, desde o rosto bonito até a estatura alta e imponente, sem deixar de notar nem mesmo os fios de cabelo ou as mãos.
Perfeito como uma obra-prima de Deus.
Exalava um magnetismo irresistível, fazendo com que fosse impossível não querer...
Ele se aproximou ainda mais.
Nélio ergueu a mão para impedir, com uma expressão séria: "Já chega, Vance, combinamos que respeitaríamos um ao outro, nada de ultrapassar limites."
"Desculpe, é mais forte do que eu."
"Se controle."
"Eu já estou me controlando."
"...Se não conseguir, posso te apagar com um golpe." Disse ele, girando o pulso para aquecer.
"..."
Vance sorriu, um tanto envergonhado.
Ele se afastou.
Nélio caminhou até o sofá e sentou-se.
Quando era jovem, era um pouco ingênuo; levou um tempo até perceber que seu amigo era gay. No início, não entendeu e se afastou, mas depois conversaram abertamente. Vance explicou que era assim por natureza e que jamais o forçaria a nada, e ambos concordaram em se respeitar.
Amigos continuaram sendo amigos.
Só que, de vez em quando, precisava aguentar... a falta de autocontrole do amigo.
Vance também se sentou.
No mundo, talvez nada fosse mais frustrante do que ter um melhor amigo hétero tão inflexível quanto uma barra de aço CA-50... impossível de dobrar, simplesmente impossível.
Do outro lado.
Heloísa passava base para cobrir a marca vermelha no peito.
Olhando-se no espelho de corpo inteiro, via o vestido branco; franziu a testa, insatisfeita. Decote profundo e costas à mostra... quem escolheu esse vestido? Ia "cumprimentar" a pessoa!
Puxou o decote para cima, mas continuava baixo.
Sem opção, soltou os cabelos, cobrindo parte do colo e o restante das costas.
Ela abriu a porta e saiu.
Heloísa não viu problema.
Luan, ainda "enforcado" pela gravata, resmungou: "Eu, Luan, continuo vivo, tá?"
Helder enfiou a gravata no bolso da calça e se jogou no sofá, esticando as pernas sobre a mesinha de centro: "Dei uma volta aqui perto, o lugar é complicado, cheio de câmeras escondidas. Quebrei todas que encontrei."
Luan suou frio: "...Quebrou mesmo?!"
"E daí? No máximo eles colocam de novo," Helder respondeu, cruzando as mãos atrás da cabeça. "Se o convidado não gosta, não pode reclamar? Não somos criminosos. Além disso, a Evelyn não disse que esse lugar aceita gente de língua solta? Eu sou esse cara."
"..."
Tá bom, você é o máximo.
O pobre Assiatante Lima sentiu sua vida por um fio.
Já Heloísa achou razoável. Quem fala sem filtro geralmente tem emoções instáveis, nada mais justo. Se ousam acolher, têm que saber lidar. Faz parte do personagem.
"Mandou bem, Helder."
Na porta do quarto, ouviu-se uma voz feminina.
Evelyn saiu de dentro. Usava um macacão champanhe brilhante, tomara-que-caia e calça larga, com lantejoulas cintilantes e uma aura de rainha. Elegante, ela aplaudiu: "Hoje todos aqui têm potencial para entrar no clube. Mostrar força é atitude certa."

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